Dois-pesos

Por Renato Santiago

Paz de Cristo a todos!

É com o coração angustiado que escrevo este texto. Uma das coisas que mais me causam tristeza é a injustiça, seja ela na área que for. O mundo é injusto, o Brasil é um país injusto, a ‘justiça social” tão prometida por políticos gananciosos nos discursos em véspera de eleição é simplesmente uma utopia. A justiça penal da lei praticamente não existe também, vemos o crescimento da corrupção e da violência no mesmo ritmo da impunidade.

Mas não se trata desse tipo de justiça, quero falar sobre nossa justiça própria, no meio cristão.

Ao recorrermos à Biblia, um dos textos mais conhecidos acerca da palavra justiça é o de Isaías 64:6 “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades como um vento nos arrebatam.”

Esse texto leva muitos a pensar que todo “ato de justiça” nosso é como trapos imundos aos olhos de Deus. Aliás, no versículo anterior, Isaías 64.5, Isaías declara: “Vens ajudar aqueles que praticam a justiça com alegria, que se lembram de ti e dos teus caminhos”. Não é impossível o povo de Deus praticar atos de justiça que agradam a Deus. Mas John Piper explica:

“Às vezes as pessoas são descuidadas e falam de forma negligente sobre toda a justiça humana, como se não houvesse nada que agradasse a Deus. Muitas vezes elas citam Isaías 64.6 que diz que nossa justiça é como ‘trapo de imundícia’. É verdadeiro – gloriosamente verdadeiro – que ninguém do povo de Deus, antes ou depois da cruz, seria aceito pelo Deus imaculadamente santo se a justiça perfeita de Cristo não nos fosse imputada (Romanos 5.19; 1 Coríntios 1.30; 2 Coríntios 5.21). Mas isso não quer dizer que Deus não produza nessas pessoas ‘justificadas’ (antes e depois da cruz) uma justiça experiencial que não é ‘trapo de imundícia’. Ao contrário, ele o faz; e essa justiça é preciosa a Deus e é exigida, não comofundamento da justificação (que é a justiça de Cristo somente) mas como evidência de sermos filhos verdadeiramente justificados de Deus”.

Ou seja, nós como servos de Deus, lavados e remidos pelo sangue do cordeiro, precisamos aprender a praticar a justiça, seja nas menores coisas, ou nas grandes, e que não seja por falta de exemplos na Bíblia.

Vejamos as palavras de Jesus aos religiosos da época, que se aplica muito bem aos dias atuais:

Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, e tendes omitido o que há de mais importante na lei, a saber, a justiça, a misericórdia e a fé; estas coisas, porém, devíeis fazer, sem omitir aquelas.”. Mt 23:23.

Não se parece com o que vimos hoje? Quantas pessoas se preocupam mais com suas obrigações religiosas do que em exercer sua fé através de atos de misericórdia e justiça? Quantos já passaram sua vida inteira sendo “dizimistas fiéis” e nunca compraram um pão de sal para uma criança de rua, jamais doaram 2,00 a uma instituição de caridade ou algo do tipo.

Somos hipócritas, egoístas, desprovidos de amor ao próximo, insensíveis e consequentemente injustos. Usamos dois pesos e duas medidas, fazemos vistas grossas, não nos importamos com o sofrimento alheio, não choramos com os que choram. Conheço cristãos que tem duas formas de pensar sobre o pecado alheio. Vou dar um exemplo: Se uma pessoa de seu círculo de amizades ou de sua família descamba por exemplo para o adultério, a reação é a seguinte: “essa pessoa precisa de apoio, não vamos julgar, vamos ajudar.” Ok.

Em contrapartida, se essa pessoa fica sabendo do pecado de alguém que não faz parte de sua panelinha (mesmo que esteja lutando contra uma fraqueza), a dureza de coração e a religiosidade falam mais alto, aí vem: “Tá vendo? Depois fala que é crente! Essa pessoa precisa se converter!!”

Conseguem ver a diferença? É parecido com um ditado que diz: “Aos amigos tudo, aos inimigos os rigores da lei.”

Precisamos aprender muito com Jesus, precisamos rever nossos conceitos sobre o que é ser cristão, sempre fui adepto de que atitudes falam mais que palavras. Que Jesus mude nosso coração, que o transforme em coração de carne, e que possamos entender que a justiça, a misericórdia e a fé são mais importantes que nossa fútil religiosidade.

O que segue a justiça e a beneficência achará a vida, a justiça e a honraProvérbios 21:21

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartosMateus 5:6

(Porque o fruto do Espírito está em toda a bondade, e justiça e verdade); Efésios 5:9

Filhinhos, ninguém vos engane. Quem pratica justiça é justo, assim como Ele é justo. 1 João 3:7

Deus nos abençoe.

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