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Lições do dono de um restaurante à igreja

Por Thiago Schadeck

José era o dono de um pequeno e simples restaurante em seu bairro. Ele tirava daquele pequeno estabelecimento o sustento de sua família, que também trabalhava no pequeno comércio. Maria, sua esposa, era a cozinheira. Muito caprichosa e decicada, ela fazia questão de cozinhar como se fosse servir aos amigos que viessem lhe visitar em casa, a comida tinha aquele sabor caseiro, diferente dos outros restaurantes da região, maiores, mas com a comida, claramente, industrializada. Ana, sua filha, era responsável pelo caixa. Atendia a todos os clientes com um sorriso, muito atenciosa e sempre dava umas balinhas como cortesia. Todos gostavam dela por conta de seu alto astral e a alegria que ela transmitia. Era impossível ter contato com a Ana e não se alegrar, ainda que o dia estivesse péssimo.
José, por sua vez, era o responsável pela maior parte das tarefas. Ele havia começado com o negócio há quinze anos e sabia gerenciá-lo muito bem. Comprava os ingredientes todos os dias, o que passava a confiança de que era tudo fresquinho, ele sabia escolher o melhor e conhecia a forma que sua esposa gostava dos ingredientes. Os poucos clientes eram mais que meros fregueses, eram amigos. José sempre os recebia na porta e os acomodava em suas mesas, sabia de seus gostos e pedia para Maria servi-los da forma que gostavam. Alguns puxavam uma cadeira e pediam que José se sentasse com eles para bater um papo, desabafar e até pedir conselhos, ele era muito bem visto. No final das refeições, José sempre vinha com um café quente para servir aos seus fregueses. Não era qualquer café, era o café torrado e moído na hora pela dona Maria. Era divino!
Certo dia um artista famoso, levado por um amigo, foi conhecer o pequeno restaurante do José. Depois de provar de uma deliciosa feijoada e um café nunca experimentado por ele. Tenho que falar desse lugar aos meus amigos – disse o artista. E foi o que aconteceu, na semana seguinte, ele voltou com alguns outros amigos, todos famosos, claro. Um programa de fofoca descobriu que eles estariam no restaurante do José e foram cobrir o encontro. Fotos e mais fotos sendo tiradas e compartilhadas nas redes sociais.
O movimento do restaurante aumentou em uma semana o que não havia crescido em dez anos. Apenas por curiosidade das pessoas em conhecer aquele lugar em que os famosos freuqentavam. E assim a cada dia o movimento aumentava. José ficou feliz, pois era a primeira vez, desde que abriu o restaurante, que podia pensar em se aposentar.
Como o número de clientes aumentou muito, agora só atendiam quem tivesse feito reserva. José não tinha mais tempo de ficar jogando conversa fora, tinha muita gente para atender e quase njnca sobrava uma cadeira vazia para que ele sentasse. Com aquela quantidade de novos clientes era impossível ele saber o gosto da pessoa e muito menos montar um prato que atendesse a vontade do cliente, até mesmo porque agora, além da Maria, tinham mais seis pessoas trabalhando na cozinha. Cada uma com uma função diferente e não só isso, mas com temperos e formas de cozinhar também. A cozinha do restaurante virou uma espécie de linha de montagem, que no final resultava em um prato tão industrializado quanto o de qualquer fast-food do shopping. Aqueles clientes amigos, que há anos freuqentavam o restaurante, foram se afastando até cessarem de vez suas visitas aquele lugar, antes tão agradável e agora desconhecido. Não dava para acreditar que era o mesmo lugar.
Quando o restaurante deixou de ser moda, José percebeu o quanto esse crescimento foi ruim para seu restaurante e chegou à algumas conclusões, que podemos perfeitamente aplicar à igreja. Confira:

  • Quando o restaurante era pequeno, José podia dar atenção aos clientes.

  • Antes de o restaurante crescer, era conhecido pela comida boa, que se destacava entre as demais, pelo cuidado na escolha, amor no preparo e o sabor de uma comida caseira.

  • Todos os que eram felizes e dedicados quando tinham pouco movimento ficaram sobrecarregados e mudaram seus hábitos depois do “sucesso”.

  • Como o crescimento repentino do restaurante, José não teve tempo para treinar os novos garçons, cozinheiros, caixas e recepcionistas. Eles não sabiam qual era a filosofia de trabalho, a historia de José e do restaurante e nem mesmo o quanto de trabalho foi empenhado para aquele restaurante permanecer aberto por tanto tempo.

Lições para a igreja:

  • Como no restaurante pequeno José tinha mais tempo de conversar e atender bem os  clientes, na igreja pequena – sou a favor de a igreja crescer, explico no final – o pastor também tem mais tempo e acesso aos membros.

  • Muitas igrejas crescem rápido como o restaurante do José e perdem a palavra saborosa. Agora o alimento que sai do púlpito é cheio de agrotóxicos, não é  mais puro e nem saboroso. Alimenta o ego e engorda os desejos carnais, mas a alma continua desnutrida e anêmica.

  • Igreja que cresce do dia para a noite tem problemas. O pastor não consegue discipular aqueles que chegam e, por precisar de ajuda, coloca pessoas despreparadas para trabalhar. Pessoas com visões e confissões de fé diferentes, novos convertidos que mal conhecem o Deus a quem servem e assim por diante.

Não sou contra uma igreja crescer,  pelo contrário, mas ela deve crescer porque a palavra penetrou ao coração e a pessoa foi convencida de que Cristo é o Senhor. Um crescimento repentino, baseado em estratégias ou propaganda não tem sustentação e, normalmente, essas igrejas se dividem.

Oremos para que Deus dê sabedoria aos pastores e que eles entendam a ajam conforme a Sua vontade.

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