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AD lança operadora de celular. Isso é bom?

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Por Thiago Schadeck,

A paz do Senhor!

Essa semana a Assembleia de Deus informou que lançará no mercado a sua operadora de telefonia móvel virtual, a “Mais AD”. Para operar, ela utilizará a estrutura já construída pela VIVO. Um dos investidores nessa operação é Ricardo Knoepfelmacher, ex-presidente da Brasil Telecom, executivo com muita experiência no mercado de telecomunicações. O diretor-geral da “Mais AD” será Raul Aguirre, que já foi alto executivo da Oi.

Tenho um respeito enorme pela Assembleia de Deus, onde já congreguei, peguei e tenho amigos. Algumas de minhas referências são assembleianos, como os pastores Geremias Couto e Ciro Zibordi, mas isso não é o suficiente para me convencer que essa operadora seja algo bom à denominação e à Igreja de Cristo.
Fico com algumas dúvidas, que se esclarecidas, talvez me façam mudar de ideia e apoiar essa empreitada.

Qualidade:
Não é segredo para ninguém que o Brasil tem um dos piores serviços pelas tarifas mais caras do mundo.  O que consideramos como banda 4G de internet móvel, aqui no Brasil, é considerado 3G no Japão. Como a “Mais AD” usará a estrutura da VIVO, dificilmente terá uma qualidade de primeiro mundo.
A pergunta que fica é: a “Mais AD” terá a qualidade e o preço justos, dignos de não envergonhar o nome de Cristo?

Investimento:
A AD não divulgou qual será o investimento inicial, mas é nítido que iniciar uma operadora de telefonia celular, ainda que utilizando-se da estrutura de outra, requer um investimento muito alto.
De onde virá o dinheiro? Dos membros, que já entregam seus dízimos, ofertas e as vezes até mais que isso? De investidores? Do governo? Usará dinheiro que tem em caixa?
Vejamos as implicações para cada situação:
         – Membros: Se o valor para iniciar as operações for arrecadado entre os membros, qual será o retorno a eles? Visto que eles estão colocando o dinheiro na empresa e não na igreja, não seria honesto atribuir esse investimento a algo espiritual e jogar a responsabilidade de retribuí-lo nas costas de Deus
        – Investidores: Quem investe dinheiro em uma empresa, o faz esperando tirar mais que colocou. A única motivação de um investidor é o lucro e, para isso, não tem qualquer problema em cortar postos de trabalho, fazer funcionários trabalharem sobrecarregados e com condições abaixo do necessário. Para o investidor, os funcionários são apenas números e podem ser facilmente substituídos.
        – Governo: Estamos vivendo a pior crise dos últimos anos em nosso país, escândalos de corrupção surgem aos montes, quase diariamente. Com a operação “Lava Jato” fica nítido o que já desconfiávamos há tempos: quem quer fazer negócio com o governo, vai ter de “molhar a mão” de alguém.
A Assembleia de Deus está disposta a entrar nesse lamaçal e fazer parte desse jogo espúrio? Vale mesmo a pena colocar o nome de uma denominação centenária em risco? E mais, vale a pena colocar o nome de Cristo em meio à essa podridão?
Lembrando que o presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, é membro da AD e terá de prestar satisfações sobre recebimento de propina, tendo como intermediária a AD Brás e de suas contas não declaradas na Suíça.
        – Usará o que tem em caixa: Suponhamos que a Assembleia de Deus tenha em seu caixa o valor do investimento inicial da operadora, portanto não necessitará de ajuda de ninguém. Talvez você pense: “bom, ai tudo bem. Eles vão usar um dinheiro deles mesmo”. Errado! Eles usarão o dinheiro do povo, que contribuiu dando o seu suor e esforço. Quem mais poderia ter abastecido o caixa da denominação senão seus membros?
Se a Assembleia de Deus tem tanto dinheiro assim, por que não investe no Reino de Deus, fazendo ações sociais, como construir casas aos que moram em condições sub-humanas, ou abrem escolas em regiões carentes e dão um ensino digno à essas crianças?
A resposta certamente é: porque isso não traz “resultado”, é financeiramente ruim. Esse dinheiro sairias do caixa e provavelmente nunca mais voltaria.

Sim, meus amigos, a finalidade dessa operadora será apenas e tão somente o lucro. Caso contrário, a presidência da empresa seria ocupada por alguém da Assembleia de Deus e não do mercado. Pois é, estão indo no mais competente, e estão certos, visto que onde deve haver lucro não há espaço para amadores.

Processos:
Como qualquer outra empresa, se a “Mais AD” não prestar um bom serviço ou o funcionário se sentir lesado ao ser desligado, certamente ocorrerão processos. O apóstolo Paulo orienta que cristãos não levem o irmão ao julgamento “secular” (1 Coríntios 6:1-8). Como fica essa relação?
Se a resposta for que a “Mais AD” será apenas uma empresa e, portanto, sem valor espiritual, então a Assembleia de Deus está dando um passo a se amoldar ao padrão desse mundo. Se a justificativa for que realmente o processo seria algo que infringe a lei de Deus, a Assembleia de Deus se coloca atrás de uma redoma e se blinda de qualquer problema que possa ter futuramente, mas com certeza não será bem vista diante de Deus.

Motivação: 
Qual a motivação de uma igreja com cerca de 18 milhões de membros em iniciar as operações de uma Telecom?
Certamente dinheiro e poder. Qualquer empresa que inicie suas operações com 18 milhões de propensos clientes tem grandes chances de dar certo. Soma-se a isso as propagandas gratuitas, e por vezes constrangedoras e intimidatórias, feitas de púlpito e dentre esses prospects, uma grande massa com baixa instrução, que atende cegamente os desejos de sua liderança (basta ver os resultados de eleições), pronto! Nasce uma grande empresa com consumidores “fieis” e com uma carteira para fazer barulho entre as grandes. Poder e dinheiro garantidos. Mas tanto um quanto o outro viciam e aprisionam. Pode ser o início de tempos difíceis para a Assembleia de Deus.
Entendo, por exemplo, a AD ter a sua editora, a CPAD, e publicar materiais que trarão edificação ao Corpo de Cristo. São bíblias, livros, devocionais e etc., mas uma operadora de telefonia celular não tem qualquer relação, nem distante, com o propósito da Igreja.

Conclusão: Pelo que conheço desse tipo de negócio e pela experiência de vida que tenho, posso afirmar com certeza que em, no máximo, três anos veremos pessoas se digladiando pelos lucros não recebidos de uma empresas envolta em processos e escândalos, por não cumprir o que prometeu e o nome de Cristo sendo envergonhado.
Não estou profetizando, estou apenas mostrando o que acontece com as empresas que são abertas por pura ganância, sem a paixão por fazer e sem a vontade de colaborar positivamente. Resumindo: se o motivo maior da empresa existir é o lucro de quem comanda, ela está fadada a ser usada para consegui-lo, custe o que custar.

Que Deus tenha misericórdia e que essa empresa não traga mais descrédito aos cristãos.

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Um comentário em “AD lança operadora de celular. Isso é bom?

  1. Pelas informações que foram veiculadas decladaramente a intenção é auferir lucro disso e ser em cerca de 10 a 15 anos a maior operadora de telefonia no Brasil. Como isso? Usando da boa fé das pessoas que poderão receber gratuitamente mensagens edificantes e pastorais para momentos de dificuldade.
    A grande questão é: de onde vem este dinheiro? Se igreja é instituição sem fins lucrativos como pode uma delas ter tamanho poderio financeiro? E aqueles que contribuíram com o suor de seu rosto poderão evocar ações desta nova empresa? É tudo muito obscuro e ao mesmo tempo escraxado de que a nobreza de carregar este nome da Assembléia de Deus vai se perdendo ano a ano…

    Curtido por 1 pessoa

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