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Os perigos do movimento “Eu Escolhi Esperar”

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Por Thiago Schadeck

Não questiono a legitimidade desses movimentos ao estilo “Eu Escolhi Esperar” e creio que há muitas coisas boas ensinadas por eles. O mundo em que vivemos está cada vez mais perverso, em todos os sentidos, e os relacionamentos menos comprometidos. Na igreja, inclusive, os jovens tem tido relacionamentos superficiais, ficam com todo mundo, fazem sexo sem compromisso e isso tem de ser mudado, através do ensino sério das escrituras no discipulado.
Muitos jovens que hoje frequentam uma igreja não nasceram em berço cristão, isso significa que cresceram sob os padrões do mundo e não de Cristo. Alguns deles já provaram de tudo, seja bom ou ruim, que o mundo tem a oferecer e não é nada fácil mudar isso. Para conseguir controlar esses maus hábitos,  por anos, as igrejas usaram uma tática medieval: proibiram que dizessem qualquer coisa fora do que a igreja dissesse ser certo. Isso colocou o enorme peso do legalismo nas costas de jovens que mal sabiam quem era Cristo e que estavam começando a compreender a graça de Deus. Com o passar do tempo as igrejas foram afrouxando essa corda para segurar os jovens. Afrouxou a tal ponto que chegamos na situação deplorável que temos hoje.
Nos últimos anos, com a popularização das redes sociais, principalmente o Twitter, surgiram os movimentos de “pureza sexual” como o Eu Escolhi Esperar e a Sarah Sheeva, que são os seus maiores exponentes. Eles ensinam que um cristão não pode sair beijando e transando com todo mundo, que deve se guardar para a pessoas certa, para o casamento e isso realmente é o ideal. O namoro deve ser algo sério, deve ser encarado como um primeiro estágio para o casamento, por isso eu acredito que adolescentes não deveriam namorar.
O problema começa quando colocam regras pesadas sob esses jovens, tais como:

Casais que se casam sendo completos estranhos entre si:
Por tamanho legalismo, os casais chegam ao altar sem se conhecer de fato. Não creio que o sexo antes do casamento seja aprovado por Deus, porém a total aversão a qualquer contato físico também produz males inimagináveis a esse casal. Muitos casais que seguem as diretrizes do EEE ficam perdidos na noite de núpcias, isso porque passaram um longo período ouvindo o que podia ou não fazer e agora que podem desfrutar do sexo ficam com medo de pecar e jogar o tempo de aprendizado nos seminários fora.

Casamentos que não são desfrutados como deveriam:
É mais comum que imaginamos encontramos casais que depois de anos ainda não conseguiram desfrutar totalmente do casamento. Esse problema começa antes do namoro, nas orientações de como deve ser o seu futuro relacionamento. Mulher não pode tomar atitude, homem tem que pagar a conta, não pode ter beijo na boca, só saiam juntos se levar os conselheiros com vocês, não pegue na mão se estiverem sozinhos, aliás não fiquem sozinhos!
O resultado disso é uma alienação e infantilização de nossos jovens, visto que não são obrigados a agir por si ou a ter atitudes de quem busca um relacionamento duradouro, mas apenas de quem obedece o que outras pessoas, por mais espirituais que sejam, ditam para as suas vidas. Quando falta esse “apoio” o casal fica sem rumo e, não raro, se separam.

Jovens sendo assexuados:
Na puberdade os desejos se afloram muito e isso é normal. A igreja deve ensinar que os jovens se controlem e não que se anulem. Ter desejos é mormal, o que não podemos é sucumbir a eles. Claro que se alguém decide namorar é porque algo físico o atrai na outra pessoa. Namoramos com quem se enquadra aos nossos padrões de beleza.
Lembro que uma vez conversando com um jovem, ferrenho defensor desse movimento, que estava enfrentando problemas em manter o namoro saudável.  Ele me disse: “irmão, ore por mim! Sinto muito desejo pela minha namorada e não sei o que fazer”. Eu lhe dei uma resposta simples: agradeça a Deus por ter esse desejo, imagine que pesado seria casar com alguém que você teria que se relacionar sem vontade?
Depois de um tempo de conversa orientei que ele tomasse cuidado para que esse desejo não ultrapassasse o limite do namoro que agrada a Deus e ele entendeu.

Resumir o evangelho a uma cartilha de namoro/casamento:
Basta acompanhar as postagens dos que defendem esses movimentos, são basicamente mensagens sobre vida conjugal, o que não é um mal em si, mas se o evangelho pregado girar apenas em torno desse tema, logo as pessoas conhecem um deus casamenteiro, uma espécie de Santo Antônio gospel. Jovens tem se perdido por não conhecer o verdadeiro Cristo, o que tem em si toda a plenitude de Deus (Colossenses 2:9), a mensagem do evangelho vai muito além de “namorar a pessoa certa”, ela nos ensina a sermos a pessoa certa em todas as áreas de nossas vidas.

Falsa expectativa do casamento perfeito:
O casamento é uma bênção de Deus, ele é tão importante que é o símbolo da união entre Cristo e a Igreja. Esse sim será o casamento perfeito. No nosso casamento terreno, nem tudo será flores, por vezes teremos desentendimentos e talvez até discussões mais ásperas. Negligenciar esse fato é colocar uma enorme armadilha no caminho daqueles a quem aconselhamos.
Milhares de jovens se casam com a expectativa de viver um conto de fadas, afinal são príncipes e princesas do Senhor, mas quando passam a viver sob o mesmo teto também começam a surgir os problemas. Eles não estão preparados para enfrentá-los e logo vem a frustração de não ter aquele sonho tão lindo antes do casamento agora vira um pesadelo.

Criar santidade de aparência:
Como dizia aquela comunidade do Orkut, tudo o que é proibido é mais gostoso”. Para a igreja eles são super santos e tementes a Deus, mal por vezes saem do culto direto para o motel. Isso porque são ensinados a se reprimir e na prática isso não é tão simples. Como nada fica em oculto para sempre, quando são descobertos o estrago é enorme.

Bom, existem outros problemas que decidi não colocar em pauta aqui, mas que podem vir em uma segunda parte.

Antes de me xingar ou amaldiçoar o texto, quero que você responda algumas questões:

  • Você sabe explicar sobre a Graça de Deus, citando versículos, a alguém que ainda não a tenha provado?

  • Alguma vez, nesses congressos de santificação você ouviu que Jesus pode voltar e você não ter se casado?

  • Alguma vez foram abordados, nesses congressos, outros pecados que não sejam sexuais ou coisas do tipo?

Se a sua resposta foi não para essas perguntas simples, te aconselho a rever o que tem crido e passar a olhar para Cristo como seu Senhor e não como um meio de encontrar a pessoa certa para se casar.

Deus te abençoe

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