Apologético · Devocional · Ministerial

Você ainda não compreendeu o Evangelho se…

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Por Thiago Schadeck

Segundo o último censo do IBGE, em 2010, o Brasil tinha, à época, 50 milhões de evangélicos. Hoje, creio que há muito mais. Somos cerca de 25% de toda a população. Claro que com esse crescimento, foi se embora aquele esteriótipo que crente é alguém pobre, com pouco estudo, fanático e ignorante. Sim, ainda existem muitos desses, mas estão muito diluidos dentre os demais grupos. Tem pobres, ricos, analfabetos, estudados, bem educados, sem educação, enfim, todo tipo de gente.

Acontece que com o inchaço da igreja – à diante você perceberá que não houve crescimento – as pessoas aderem a um novo tipo de pensamento, mas quase nunca ao verdadeiro Evangelho. Sabem de cór e saltiado as letras das músicas, mas demoram para encontrar o livro de João na Bíblia. Não conhecem as histórias bíblicas e nem o Cristo apresentado pelas Escrituras, só o da igreja. São analfabetos bíblicos!

A nossa geração de crentes se assemelha muito ao mordomo da Rainha de Candace (Atos 8:26-40), que voltava de Jerusalem, onde havia ido adorar a Deus, lendo as escrituras, porém sem entender nada. É idêntico a milhares de crentes atuias que vão à igreja, adoram a Deus e lêem a Biblia sem entendê-la. São rasos e incapazes de transmitir àquilo que crêem a alguém. Não é raro alguém não saber falar de Cristo a um necessitado e levá-lo ao pastor e delegar-lhe a responsabilidade.

Crentes com mais de 10 anos de convertidos e que não conhecem, de fato, a Deus. O Senhor é alguém distante e pouco intimo. Mal sabem explicar porque estão na igreja, quase sempre porque precisam de algo que julgam poder alcançar apenas por uma intervenção divina. E não é a salvação!

Vejamos alguns pontos que demonstram desconhecimento sobre o Evangelho verdadeiro:

Se você pensa que determina aquilo que Deus deve fazer:
Com o inchaço da igreja evangélica ocorreu um fenômeno antibiblico e demoníaco, os homens passaram a querer mandar em Deus. Não é raro ouvir em uma igreja neopentecostal que você deve exigir, decretar e determinar aqulilo que Deus deve fazer.
O Senhor é o criador de tudo, inclusive do ser humano. Se você acha mesmo que pode dizer a Deus o que Ele deve fazer, sugiro que antes se prepare para responder as perguntas que ele fez a Jó (Jó 38:4-41) ou se preferir, responda apenas a pergunta feita pelo apóstolo Paulo:
“Pois, quem jamais conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo.” (1 Coríntios 2:16)
Ninguém é capaz de aconselhar a Deus acerca do que é melhor. Ter a mente de Cristo é exatamente o contrário, é submeter-se totalmente à vontade do Pai (Filipenses 2, Mateus 26:39)

Se você pensa que o Diabo tem poder sobre a sua vida:
Tem crentes convertidos há anos e que ainda pensam que Satanás pode fazer o que quiser com suas vidas. Certamente não foram bem instruídos biblicamente. São neuróticos e vêem a ação do Diabo em tudo, mas sequer conseguem ver o agir de Deus no seu dia a dia. Alguém realmente salvo, que teve um encontro verdadeiro com Cristo, que tem o Espírito Santo habitando em si, tem a plena convicção de que maior é o que está em nós.
Para exemplificar bem isto, podemos usar a história de Jó. Deus não permitiu que o Diabo fosse além daquilo que Ele havia autorizado. O Senhor, apesar de permitir o sofrimento de Jó, não o abandonou à sua própria sorte em momento algum, Deus não mandou Jó se virar com o Diabo, mas supervisionou tudo em todo o tempo.
Além disso, Cristo venceu o inimigo na cruz:
“E a vós, quando estáveis mortos nos vossos delitos e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-nos todos os delitos; e havendo riscado o escrito de dívida que havia contra nós nas suas ordenanças, o qual nos era contrário, removeu-o do meio de nós, cravando-o na cruz; e, tendo despojado os principados e potestades, os exibiu publicamente e deles triunfou na mesma cruz.” (Colossenses 2:13-15)
Quando aqueles que rodeavam a cruz pensavam que o Salvador havia sido derrotado, Cristo, na verdade, estava alcançando a maior vitória da humanidade: a vitória sobre a morte e o pecado! Depois da cruz a possibilidade de salvação se tornou real, agora todos tem acesso à Deus. O véu está rasgado!

Se você pensa que a oração de uns é mais poderosa que de outros:
Basta ligar o rádio ou a tevê para encontrar pastores alegando que farão uma oração especial ou forte para você, porque eles têmse consagrado para buscar a sua vitória e assim Deus te atenderá. Isso é MENTIRA!
Deus não se comove com essas coisas e nem permite terceirizarmos a nossa fé. Temos de entender a diferença entre intercessão e transferência de responsabilidade. Na intercessão alguém me ajuda em oração, o que é correto e bíblico. Devemos participar dos sofrimentos de nossos irmãos, mas isso não nos dá o direito de transferir a responsabilidade da luta em oração a outra pessoa. Seja quem for!
E aos que defendem à pratica porque crêem que Deus ouve mais aos seus queridinhos, proponho que leia a parábola do Fariseu e o Publicano, contada por Jesus em Lucas 18:10-14. O justificado da história não foi o religioso arrogante que pensava ter uma linha direta com Deus, mas o pecador confesso e humilhado.
Davi escreveu no Salmo 34:18:
“Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado, e salva os contritos de espírito.”
Deus não se ilude com nossos biquinhos de choro e sentimentalismo barato. Ele vê o nosso coração e sabe o quão quebrantados estamos.

Se você pensa que sua oferta compra o favor de Deus:
Diariamente as estações gospel transmitem centenas de testemunhos de pessoas que alcançaram alguma bênção após se associar a um projeto de ofertas para manter a programação no ar. Vendem isso como se a forma de ter o favor de Deus fosse comprando. É o espírito de Simão, o mágico, perambulando em meio às igrejas. Se você não sabe quem foi Simão, não Pedro, mas o mágico, leia Atos 8:9-25 e compreenderá a história.
Resumidamente, os apóstolos passaram pregando por várias cidades, em uma delas Simão ouviu a mensagem do Evangelho e passou a segui-los. Chegou a se batizar e acompanhar os apóstolos pelo caminho – tornou-se crente! Certo momento, ao ver os milagres sendo operados pelos apóstolos, Simão teve uma idéia brilhante: oferecer dinheiro para obter o mesmo poder. Infelizmente ele não contava que faria a proposta a um homem de Deus e não a um corrupto, como os que vemos hoje. A resposta de Pedro, o Simão cristão da história, foi clara e direta: “Mas disse-lhe Pedro: Vá tua prata contigo à perdição, pois cuidaste adquirir com dinheiro o dom de Deus.” (Atos 8:20)
Lamentavelmente hoje há muitos oferecendo o poder de Deus nas banquinhas de camelô dos púlpitos. Esqueceram apenas que Deus não aceita suborno (2 Crônicas 19:7).
Como um ser humano imagina que poderia mover o coração do dono do ouro e da prata, usando dinheiro? TUDO É DELE!

Se você pensa que há pecados mais graves que outros:
Os crentes se especializaram em categorizar os pecados. Uns são considerados leves, outros extremamente pesados, alguns imperdoáveis. A Bíblia é explícita em dizer que o único pecado sem perdão é a blasfêmia contra o Espírito Santo. Todos os outros são pecados iguais e capazes de nos levar ao inferno, caso não haja arrependimento verdadeiro.
Por que ainda insistimos em condenar homossexuais, mas fingimos não ver a mentira que contamos? Por que o adultério é tão grave aos nossos olhos, mas a inveja é tratada como uma mera admiração?  Por que temos os católicos como idólatras, mas ai de quem falar do nosso líder?
No frigir dos ovos, pecado grave é aquele que o outro pratica, os meus Deus releva porque sabe que sou pecador arrependido. É sempre mais fácil condenar o outro pelo pecado diferente do meu. Difícil mesmo é abandonar os meus e imitar a Cristo.

Existem vários outros pontos que demonstram o desconhecimento ao Evangelho verdadeiro e oro para que Deus nos ilumine e mostre se o que temos seguido é realmente o Caminho ensinado por Ele. Cristo é o modelo perfeito, o imitemos e certamente seremos pessoas muito melhores.
Que a revolta com o pecado comece por nós mesmos, depois pela nossa igreja e por fim, a sociedade que não conhece a Deus. Se formos como Jesus, enxergaremos uma alma necessitada de salvação por trás do pecado e não o contrário.  Haverá mais compaixão com os que perecem.

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