Ministerial

Pastorado NÃO é voto de pobreza

Por Thiago Schadeck

Por conta de diversos escândalos envolvendo pastores que se utilizam do aparato da igreja para enriquecer, muita gente pensa que todo pastor deve ser um abnegado e rejeitar qualquer tipo de recurso financeiro, seja pago pela igreja ou de seu trabalho secular. Alguns chegam a dizer que se eles servem a Deus, que dependam da provisão Dele. Eu pergunto: e qual de nós não depende?
Se acordamos hoje, é porque Deus nos proveu mais um dia. Se temos um emprego que nos proporcionou termos um local para morar, seja próprio ou alugado, é porque o Senhor tem nos mantido empregados mesmo em meio à crise. Se temos a salvação é porque o Pai proveu a Cristo, o Cordeiro santo e imaculado. Digo mais, se há ímpios podendo desfrutar de tudo isso que citei acima é porque provam de uma provisão da graça de Deus, que não deixa serem consumidos por Sua ira.

Vamos agora a fatos mais objetivos sobre a relação do pastor com o dinheiro:

  • Pastor deve ter um salário.

Não importa se esse salário virá da igreja ou de um trabalho secular, o fato é que pastor deve ter um salário. Normalmente o pastor é casado e tem filhos, portanto ele precisa ter algum rendimento para sustentar a sua casa e os seus. Não é prudente deixar o pastor passando necessidade enquanto a igreja tem seus empregos e salários. Como o pastor fará visitas aos membros se não tiver um carro e dinheiro para colocar gasolina? Claro que reclamarão que o pastor é negligente e distante.
O que pode e deve ser discutido é se a igreja tem ou não condições de pagar um salário digno ao pastor. Infelizmente tem igrejas que pensam que meio salário mínimo e uma cesta básica suprem as necessidades do pastor e sua família. Deve-se levar em conta o custo de vida na região em que a igreja está localizada. Se não tiverem condições de sustenta-lo, que o liberem para trabalhar secularmente, porém que fiquem cientes que não poderão contar com ele durante um período do dia.

  • Como o pastor adquiriu seus bens?

Vejo muita gente criticando alguns pastores que tem uma boa condição de vida. Há quem pense que só porque ele é pastor deva morar com a esposa e filhos em um quarto e cozinha no fundo da igreja e ter, no máximo, uma Mobette para se locomover. A pergunta que deve ser feita é: como ele conquistou tudo isso?

Tem pastores que ganham um salário relativamente baixo da igreja mas que sabem administrar e poupar, e por conta disso conseguem adquirir alguns bens. Há os que são empresários e administram suas empresas sem que isso interfira em seu ministério. Outros são autores de livros e pela sua qualidade conseguiram um renome, valorizando suas obras e consequentemente ganhando algum dinheiro. Outros ainda vem de famílias que tem uma boa condição financeira. Existem aqueles que dão aulas, principalmente de teologia. E assim por diante.

Portanto não se preocupe com esses pastores, o dinheiro deles é ganho de forma honesta e Deus é glorificado nisso, assim como Ele é glorificado quando recebemos o nosso salário. Preocupe-se mesmo com pastores que se encostam na igeja e utilizam os recursos dela para se beneficiar, dos que profetizam mentirosamente e depois pedem a oferta para o profeta, dos que prometem bençãos e curas em troca de um “voto”, dos que exigem que sua igreja lhes entregue as primícias (um dia de salário para o sustento do pastor). Fuja desses porque o desejo deles em ver a igreja crescer não está relacionado à salvação dos perdidos, mas na possibilidade de ganhos futuros.

  • Como ele desfruta desses bens e valores

Se o pastor é egoísta e usa tudo isso que conquistou para jogar na cara dos membros o quão abençoado ele é, infelizmente não passa de mais um mercenário da fé, que só quer o status que o título lhe proporciona. Está engrossando as fileiras dos que deixaram de servir a Deus para cultuar a Mamom. O pastor, como qualquer outro cristão, tem o dever de administrar bem o que Deus lhe confiou. Lembre-se que somos mordomos daquilo que Deus nos permite desfrutar. 

Por outro lado há quem pense que as coisas do pastor são de uso irrestrito da igreja. Se tem que buscar sacos de cimento para rebocar a parede da casa do irmão, pensam logo no carro do pastor. Precisa ligar para os jovens para organizar a pizza pós culto, use o celular do pastor. Há extremos em que membros entram sem qualquer aviso na casa do pastor (principalmente se for aquele quarto e cozinha no fundo da igreja), sem nenhuma preocupação se pode encontrar alguma situação embaraçosa ou mesmo se ele quer aquela visita naquele momento. Já vi casos em que membros abriam a geladeira da casa do pastor, enquanto ele pregava, e comiam e bebiam à vontade.

Considerações finais:

Com certeza seu pastor não entrou no ministério por causa do dinheiro, mas isso não significa que o dinheiro não seja importante para a sua vida. Ninguém, nem você e nem seu pastor, podem viver sem dinheiro. Lembre que o dinheiro não é a raiz de todos os males, como alguns insistem em afirmar, mas o amor à ele, portanto o problema não é ter dinheiro e sim ter um apego exagero à ele.

Pense nisso!

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