A importância da Igreja Local

Por Thiago Schadeck

Escrevi esse texto em 2011, a pedido de um amigo para postar em seu blog. Hoje, olhando meus arquivos o encontrei e percebi que se faz extremamente atual. Decidi publica-lo aqui também.

Vivemos em tempos muito difíceis, escândalos estouram a todo o momento e feito com que muitos comecem a pensar se realmente vale a pena congregar em uma igreja local. Por conta disso, muitos pensam em se reunir nas casas, em escolas, praças e outros locais menos formais. Acontece que quando fazem isso, ainda que inconscientemente, estão formando uma igreja local.

Quero falar da igreja local, a congregação que milhares de brasileiros frequentam e cultuam ao Senhor em comunidade. A igreja local deve ser um lugar acolhedor, independente da situação das pessoas. Deve receber a todos de braços abertos. Isso não significa passar a mão na cabeça, mas tratar a todos da mesma forma, como Cristo fazia quando esteve aqui na terra.

A igreja local deve fazer jus ao título de Corpo de Cristo e se compadecer daqueles que estão aflitos, se alegrar com as vitórias que o Senhor concede aos demais irmãos. Na igreja local não pode haver vaidade, ao contrário, todos devem se empenhar na implantação do Reino de Deus nessa terra. E como diz o Ariovaldo Ramos, “o Reino de Deus é um reino de amigos” e como bons amigos, precisamos nos colocar no lugar de nosso irmão sempre que necessário. Só desta forma viveremos o que apostolo Paulo escreveu a igreja em Roma: “Alegrem-se com os que se alegram; chorem com os que choram.” (Romanos 12:15)

Precisamos lembrar que servir a Deus implica diretamente em servir ao nosso próximo. Jesus diz em Mateus 25:35-40, que haviam homens que mesmo sem saber haviam o visitado quando ele esteve preso, o vestiram quando nu, o alimentaram quando padecia de fome, o deram água quando teve sede. E quando eles questionaram quando haviam feito todas essas coisas, Jesus surpreende a todos dizendo que fizeram a Ele quando fizeram aos pequeninos.

Seguindo o ensinamento de Cristo, o apostolo Tiago descreveu a verdadeira religião em sua carta: “A religião que Deus, o nosso Pai aceita como pura e imaculada é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades e não se deixar corromper pelo mundo.” (Tiago 1:27)

A igreja local deve ter como uma de suas diretrizes a ajuda aos necessitados. Todos na igreja têm suas necessidades básicas supridas? Se a resposta é não, temos um sério problema, pois a vontade de Deus é que saibamos dividir aquilo que Ele tem nos dado.

Escrevo este texto até como testemunho de alguém que fez parte por muitos anos da liderança administrativa e espiritual de uma igreja local, que sente a dor de não poder colocar em prática todos os planos de ajudar aqueles que necessitam, por causa de um orçamento escasso, que mal consegue pagar todas as dívidas que a igreja tem. Alguém que conhece os pontos fracos de ser igreja local, pequena, independente. Sabe as dores e o peso que recai sobre as costas da liderança de uma igreja local que prega e busca viver a Verdade. Que muitas vezes é taxado de frio e sem fé, simplesmente porque não tem amuletos, revelação ou “rajadas de línguas”, mas que tem pregações cristocêntricas, que apontam para a condição de pecador do ser humano e a Salvação em Cristo; que anuncia a salvação pela fé e não pelas obras ou carnês; que discípula seus membros na Palavra e os prepara para serem independentes dos líderes, prontos a gerar outros cristãos e discipulá-los.

Estou ciente de que há muitos erros nas igrejas locais, mas não posso crer que tudo está perdido. Creio que ainda hoje existem homens e mulheres de Deus pastoreando as igrejas locais. Não podemos tomar todas por algumas. Claro que há “donos de igrejas” que fazem o que querem e mandam seus capangas darem jeito nos que ousarem contrariá-los, mas há muitos que se colocam aos pés de Cristo, clamando que Ele dê direção nas decisões a serem tomadas e que quando tem “sucesso”, colocam toda a glória no Senhor.

Portanto, se fazemos parte de uma igreja local, temos que ser participantes em todas as áreas, usando os dons e talentos que o Senhor nos deu para o trabalho em sua obra. Sempre digo que o Senhor não chama ninguém para o “ministério do banco”, mas todos nos enquadramos em algum trabalho. Ainda que este trabalho seja a faxina, que em minha opinião é um dos mais nobres, pois todos querem estar em um lugar limpo e agradável, mas poucos reconhecem quem se esforça para mantê-lo assim.

Minha oração é que os cristãos entendam a necessidade de viver como um só corpo, buscando o bem e o crescimento mútuo. Que apesar das diferenças, possamos ser um em Cristo.

Claro que em um único texto é impossível relatar toda a importância da igreja local, então te deixo uma lição de casa: medite no que te faz congregar em uma igreja local, nas falhas dela e como você pode ajudar a ser uma comunidade melhor. Com certeza, se cada um fizer a sua parte, muito mais pessoas se interessarão em conhecer a igreja do Senhor mais a fundo.

Que Deus te abençoe!

Eu desisti de ser PASTOR

Há algum tempo já venho pensando na possibilidade de abrir mão do meu título de pastor. Sim, não quero mais ser pastor, no sentido eclesiástico da palavra.

Temos milhares, se não milhões, de pastores no Brasil. Isso sem contar os bispos, apóstolos e outras aberrações que derivam desses títulos megalomaníacos e o que isso mudou nosso país? Absolutamente nada!

Somos mais de 50 milhões de evangélicos, igrejas e mais igrejas sendo abertas todos os dias, trazendo consigo os postulantes ao pastorado se acotovelando para conseguir o cargo de liderança máxima nessa nova congregação. A minha pergunta nesse caso é: essas pessoas estão prontas para liderar uma igreja? Tem preparo espititual, emocional, físico e teológico para tal? Sem medo respondo que a maioria não tem. Por isso mesmo que vejo cada vez mais pessoas se decepcionando com a igreja e consequentemente com Deus. Infelizmente pessoas sem preparo matam espiritualidade as outras.

Por motivos como esses, eu decidi abrir mão de ser pastor!

Não disse que deixarei de pastorear, não entenda mal. Eu abro mão do título, da pompa, das formalidades, de ser do topo da pirâmide. Não quero mais ser respeitado por conta do título que carrego, mas sim pelo que sou. Não quero que ninguém siga minhas orientações porquê me vê como o ungido de Deus, infalível e inerrante. Quero ser visto como um ser humano pecador, como qualquer outro, que erra e acerta, que luta para fazer a vontade de Deus, mesmo falhando miseravelmente na maioria das vezes.

Quero ser um ponto de apoio aos que se decepcionaram, que desanimaram na fé, aqueles que foram feridos na batalha. Meu desejo é ajudar pessoas a encontrar igrejas saudáveis para congregar e alimentar sua fé. Não quero ninguém preso a mim, como se fosse um guru espiritual. Pelo contrário, que caminhemos juntos, nos edificando mutuamente, como o corpo de Cristo deve fazer.

Durante dez anos alimentei pessoas, mas negligenciei minha alimentação, poucas vezes me sentei em um culto para ouvir e meditar aquilo que era pregado porque sempre tinha alguma tarefa a ser executada na igreja e um obreiro não pode descansar. Que tolo eu fui! Anos e anos à fio tentanto fazer pessoas se achegarem a Cristo e eu mesmo me afastando dEle lentamente. Enquanto me preocupava em tudo correr bem no culto, em atender as pessoas e que elas desejassem voltar por conta do “bom atendimento”, a depressão ia me consumindo, meu casamento ficando pra traz, meu filho crescendo sem que eu percebesse.

Há alguns dias tomei uma decisão: procurar ajuda. Tanto a ajuda profissional de um psicólogo quanto a ajuda espiritual, passando a congregar em uma igreja estruturada, que tem o evangelho como foco e que poderei ser simplesmente eu, sem cobranças pelo cargo, sem formalidades e sem precisar colocar uma máscara quando estiver mal pra que ninguém perceba. Vou tratar da minha saúde e minha espiritualidade para poder ajudar os que precisam.

EU ABRO MÃO DO TÍTULO DE PASTOR, MAS NÃO DA FUNÇÃO DE PASTOREAR!

Todavia, continuarei acreditando e lutando ferrenhamente pela Igreja de Cristo. Não deixarei de congregar e tampouco me afastarei da comunhão de irmãos queridos. Apenas passarei a exercer uma função muito mais importante: os bastidores. Não quero meu nome conhecido, mas quero que Cristo seja conhecido por todos e reconhecido em nós.

Se você também passou ou está passando por isso, chega mais, vamos caminhar juntos. Vivamos o Evangelho Puro e Simples de Jesus.

Se quiser, me mande um e-mail (pregverdade@gmail.com) ou CLIQUE AQUI e envie uma mensagem no WhatsApp e vamos conversar!

Deus nos abençoe!