Teologia da prosperidade, do coaching, Jeremias e Tiago.

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Foto: Instituto Brasileiro de Coaching

    A teologia da prosperidade já apanhou demais. Seus grandes ícones já foram expostos e desmascarados. Infelizmente ela ainda faz vítimas pela falta de conhecimento do povo, principalmente nas periferias, público alvo desse tipo de “teólogos”. Felizmente ela está cada vez mais marginalizada e ficando limitada a determinadas igrejas. Um bom número de crentes tem um grande repúdio por esse tipo de abordagem “evangélica”. Pois bem, eis que temos uma substituta para a tal da teologia da prosperidade (TP). Eu a chamo de teologia do coaching (TC). Usareis as siglas a partir de agora.

A CULTURA DO COACHING

          Sou formado em administração. Cursei quatro anos de faculdade e fiz outros cursos na área. Na época, o coaching não era tão conhecido como hoje. Sempre valorizei cursos com conteúdo práticos como finanças, marketing e recursos humanos. Nunca fomos ensinados que precisaríamos de pessoas nos acompanhando para ensinar, direcionar, motivar e cobrar. Nós mesmos faríamos isso. Então a cultura do coaching chegou. Vá a uma seção de administração e negócios de uma livraria hoje e você perceberá o que estou dizendo. Nunca me dei bem com ela para ser sincero. E quero explicar a razão usando duas citações do Instituto Brasileiro de Coaching.

Primeiro, o que é o coaching?

Um mix de recursos que utiliza técnicas, ferramentas e conhecimentos de diversas ciências como a administração, gestão de pessoas, psicologia, neurociência, linguagem ericksoniana, recursos humanos, planejamento estratégico, entre outras visando à conquista de grandes e efetivos resultados em qualquer contexto, seja pessoal, profissional, social, familiar, espiritual ou financeiro”.

Agora pergunto: como o coaching acontece?

Conduzido de maneira confidencial, o processo de Coaching é realizado através das chamadas sessões, onde um profissional chamado Coach tem a função de estimular, apoiar e despertar em seu cliente, também conhecido como coachee, o seu potencial infinito para que este conquiste tudo o que deseja”.

         Antes de continuar deixe-me dizer algo para que fique claro. Acredito na liberdade de trabalho honesto. Se você gosta ou trabalha honestamente com isso, ok, é a sua escolha. Por mais que eu tenha críticas a essa prática, aqui entrarei na relação do coaching com a igreja. Usarei essas duas respostas dadas para analisar biblicamente o que chamo de TC. Minha argumentação será essa: Igreja e evangelho não combinam com o coaching e não devem se misturar jamais. Quando isso acontece temos uma nova TP com uma roupagem mais humanista e existencialista.
Junto com o coaching cresceu o chamado empreendedorismo de palco (EP). São aqueles profissionais que trabalham com palestras motivacionais e grandes palestras de coaching. Esse mercado tem crescido assustadoramente e também tenho sérias dificuldades com ele. Aqui se aplica a mesma observação que fiz aos profissionais de coaching. Mesmo assim indico um ótimo texto escrito por Ícaro de Carvalho chamado Por que o empreendedorismo de palco irá destruir você. O autor começa com uma afirmação que capta bem o ponto onde quero chegar:
O empreendedorismo é a nova religião do homem moderno. Materialista e secular, ele substituiu os Santos do seu altar por fotografias de homens bem-sucedidos; os seus Evangelhos são livros como “O sonho grande” e “A força do Hábito”. Ele acredita, de alguma maneira, que tudo aquilo irá aproximá-lo do seu objetivo principal: sucesso, fama e dinheiro…de preferência agora!”

         Essa cultura construída em torno do coaching e do EP é em sua maioria materialista. O objetivo de muitos é o sucesso financeiro, e isso significa enriquecer. Com um fator especial: o mais rápido possível. É comum ler e ouvir grandes promessas e ensinamentos sobre como trabalhar menos e ganhar mais. O foco está no esforço intelectual e físico daquele que está buscando seu lugar ao sol. É dessa cultura de palco, sonhos, riquezas e promessas que estou falando. Já viu onde isso vai chegar na igreja? Vamos falar disso agora!

O COACHING NA IGREJA

          Eu já vi palestras de coaching acontecendo onde deveria haver uma pregação da Palavra. Isso mesmo, em pleno culto público. Infelizmente, essa cultura chegou em muitas igrejas. E se eu já não me dou bem com ela no mercado de trabalho, na igreja não tenho medo de dizer que ela é minha inimiga. Assim como repudio a TP também o faço com essa nova onda da TC. Em alguns sentidos essa segunda chega a ser pior do que a primeira. Vamos analisar três pontos que constroem a TC.

Humanismo: O coaching utiliza de técnicas humanas num indivíduo que é o centro de tudo para que este alcance seus objetivos humanos. Muitos pastores e líderes tem enveredado por esse caminho. Tratam suas pregações como palestras motivacionais da fé que confundem fé com força e vontade, evangelho com motivacionismo e Cristo com um palestrante. O foco está naquilo que o homem pode fazer através da sua fé pessoal. Fé essa que passa por Cristo, mas que tem seu objeto na própria pessoa e nos seus esforços dirigidos. Muitas “pregações” tem o mesmo objetivo do coaching, ou seja, estão “visando à conquista de grandes e efetivos resultados em qualquer contexto, seja pessoal, profissional, social, familiar, espiritual ou financeiro”. O apelo pode ser até espiritual, mas ainda assim Você já deve ter escutado muito coisas do tipo “como ser o melhor marido”, “como atrair e fidelizar pessoas para o reino”, “alcançando sucesso através da fé.”. Tudo isso travestido de espiritualidade…

Materialismo: há um desejo enorme em conquistar coisas. Sejam elas produtos do mercado como carros, casas, roupas, viagens ou algo mais “espiritual” como paz, pessoas, bom casamento, filhos educados, castidade, etc. As pessoas querem conquistar, possuir e avançar, sendo tudo isso fruto não da humilhante auto confrontação e negação de si mesmo, mas da autoafirmação. O papel do pastor se tornou muito parecido com o do coach: “estimular, apoiar e despertar em seu cliente (ovelha)… o seu potencial infinito para que este conquiste tudo o que deseja”. É exatamente isso que essa mistura humanista-materialista busca: o potencial infinito de cada ser humano para conquistar aquilo que ele deseja. Há uma conexão com o existencialismo, onde o indivíduo e sua busca pessoal por significado em si mesmo passa a ser o centro do pensamento filosófico.

Ceticismo: Humanismo e materialismo são marcas de seres céticos. A crença no Deus da Bíblia é cada vez mais fraca onde esse tipo de cultura se manifesta. Como eu já disse, a TC busca descobrir o potencial de cada pessoa para que ela alcance seus próprios objetivos. Dependência de Deus é algo apenas fantasiado. Orações são feitas apenas para que Deus abençoe nossos planos e para que Ele nos dê apoio em nossa própria empreitada. O sobrenatural é esquecido e Deus vai ficando cada vez mais distante. Na TC o soberano é o indivíduo com suas decisões de fé e sucesso. Em muitas igrejas tudo que você vai encontrar nos púlpitos são mensagens sobre o que os homens podem fazer para serem alguma coisa melhor do que já são. Até a mistura com conteúdo de coaching, marketing pessoal e psicologia você encontrará. Aliás, tem sido comum pastores e líderes entrarem nesses cursos e palestras para serem mais persuasivos, contagiantes e teatrais (para não usar manipuladores). O Espírito Santo não tem muito espaço na TC, mesmo que usem seu nome.

São por esses motivos principais que digo que a TC está substituindo a TP. Esse discurso tem atraído jovens, empresários, profissionais liberais, e todo o tipo de gente, principalmente na classe média. E aqui está a transição entre as duas abordagens. A TP faz uma barganha com Deus crendo que Ele efetuará milagres para benefício material e espiritual do homem. A TC eliminou a barganha ao deixar Deus de longe, mas passou a ter no próprio homem a força “milagrosa” para seu benefício material e espiritual. Na TP ainda há uma certa dependência de Deus e seu agir sobrenatural, enquanto na TC o homem declarou sua independência. O relacionamento de barganha foi substituído para o relacionamento de plateia. O Deus da TC está assistindo e torcendo pelos grandes empreendedores no palco da fé. Talvez você ache ruim o uso da palavra coaching, mas quero que você entenda a expressão completa “teologia do coaching” que estou usando para definir esse tipo de abordagem.

Essa é uma teologia mais sutil, que parece mais humilde, mas na verdade transborda soberba ainda mais do que a tenebrosa TP. Seu ambiente menos escandaloso e mais conformado a cultura secular permite que esse tipo de abordagem lote igrejas e obtenha grande aceitação. Geralmente se fala o que as pessoas querem ouvir e pecados são tratados como pedra e obstáculos no caminho que devem ser superados. A pregação fica até mais dinâmica, com uso de mídias, frases de efeito e motivação mútua. Tudo isso associado com o desejo material dos nossos dias só contribuem para que a TC ganhe terreno. Logo nós teremos grandes problemas com ela e talvez ela chegue ao mesmo patamar da TP. Que Deus nos livre e proteja disso!

O QUE JEREMIAS E TIAGO DIRIAM?

Não quero tornar esse texto num texto longo demais. Portanto, encerrarei apenas com três passagens bíblicas (quem sabe um artigo completo poderá sair em breve sobre o tema). Compare com as ideias da TC e veja como a Bíblia é contrária a isso. Jeremias profetizou para um povo orgulho e que confiava em suas próprias forças e em sua “tradição espiritual”. Contra isso Deus falou por meio do profeta:

Assim diz o Senhor: “Não se glorie o sábio em sua sabedoria nem o forte em sua força nem o rico em sua riqueza, mas quem se gloriar, glorie-se nisto: em compreender-me e conhecer-me, pois eu sou o Senhor, e ajo com lealdade, com justiça e com retidão sobre a terra, pois é dessas coisas que me agrado”, declara o Senhor” (Jeremias 9:23,24)

Num momento mais a frente ele resume bem sua mensagem ao povo:

“Assim diz o Senhor: Maldito é o homem que confia nos homens, que faz da humanidade mortal a sua força, mas cujo coração se afasta do Senhor… Mas bendito é o homem cuja confiança está no Senhor, cuja confiança nele está” (Jeremias 17:5-7)

Encerro com a passagem de Tiago, um verdadeiro balde de água fria na teologia do coaching:

Ouçam agora, vocês que dizem: “Hoje ou amanhã iremos para esta ou aquela cidade, passaremos um ano ali, faremos negócios e ganharemos dinheiro”. Vocês nem sabem o que lhes acontecerá amanhã! Que é a sua vida? Vocês são como a neblina que aparece por um pouco de tempo e depois se dissipa. Ao invés disso, deveriam dizer: “Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo”. Agora, porém, vocês se vangloriam das suas pretensões. Toda vanglória como essa é maligna. ” (Tiago 4:13-16)

TP e TC, ambas são maléficas e distantes do cristianismo bíblico que leva o homem a negar a si mesmo, humilhar-se diante de Deus e depender dele em tudo. Ter sucesso profissional e conquistar riquezas não é pecado em si, mas isso não pode ser um dos pontos centrais de nossa espiritualidade cristã. Cuidado para não substituir a teologia da prosperidade pela teologia do coaching, em ambas o deus que adoram é o mesmo: o homem.

Autor: Pedro Pamplona.

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Pastor lista ‘falsos evangelhos’ que estão sendo pregados na igreja hoje

O pastor Erwin W. Lutzer aponta cinco falsos evangelhos que estão sendo espalhados pelas igrejas.

FONTE: GUIAME, COM INFORMAÇÕES DO CHRISTIAN POST

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O pastor Erwin W. Lutzer aponta cinco falsos evangelhos que estão sendo espalhados pelas igrejas. (Foto: Reprodução/YouTube)

Há cinco falsos evangelhos sendo espalhados pelas igrejas hoje, de acordo com o pastor canadense Erwin W. Lutzer.
Suas reflexões foram feitas em conversa com Darrell Bock, professor sênior de pesquisa do Novo Testamento no Seminário Teológico de Dallas (EUA), em um episódio do podcast “The Table” publicado na segunda-feira (13).

O primeiro dos falsos evangelhos é o da “graça permissiva”, que defende que as pessoas podem ter graça sem transformação pessoal.

Temos que pregar sobre o pecado e fazer isso com compaixão, para que as pessoas saibam que precisam da abundante e imerecida graça de Deus”, disse Lutzer. “Mas hoje muitas pessoas pregam a graça antes mesmo de as pessoas realmente saberem que precisam dela”.

O segundo falso evangelho descrito por Lutzer é o “evangelho da justiça social”, que deixa de lado a conversão pessoal em nome do assistencialismo.

A justiça social, por melhor que seja, no seu melhor, não é o Evangelho. Pode ser o resultado do Evangelho, dependendo de como é definida. Você pode ir para a África ver que vários hospitais foram construídos por missionários. Sempre tivemos uma consciência social, mas a justiça social não é o Evangelho. O Evangelho não é o que podemos fazer por Jesus; é o que Jesus fez por nós”, analisa.

O pastor também listou os conceitos da “nova era” como um falso evangelho que está entrando nas igrejas evangélicas. “Fico feliz com a formação de estudos sobre espiritualidade que nos ajuda a caminhar no Espírito, mas muitas vezes, eles são combinados com as religiões orientais”, afirma.

Ele também cita o “evangelho da sexualidade”, no qual as igrejas não denunciam os pecados sexuais. “Há muitos que se declaram evangélicos, mas aceitam o casamento homossexual, porque o conceito de amor está sendo definido de maneira contrária às Escrituras”.

Uma ameaça às igrejas evangélicas apontadas pelo pastor é o “diálogo inter-religioso”, especialmente com os muçulmanos. “Não me oponho aos debates. E, claro, eu também acredito que precisamos fazer amizade com os muçulmanos”, explicou Lutzer.

Por outro lado, Lutzer citou declarações de apologistas islâmicos que ensinam como convencer a sociedade sobre sua visão religiosa, usando argumentos como “o Islã sempre defendeu a justiça das mulheres”, “o Islã sempre esteve na linha de frente dos direitos civis” e “Maomé foi um homem de paz que tentou atrair judeus e pagãos”.

Como você leva o Islã para um público que provavelmente nunca viu um Alcorão, muito menos leu, ou o Hádice, e como você os vende em uma versão do Islã que será aceitável? Muitas pessoas estão se apaixonando por isso e eu advirto contra isso”, acrescentou Lutzer.

A explicação de Lutzer sobre os falsos evangelhos foi tirada de seu livro, publicado em agosto de 2018, intitulado The Church in Babylon: Heeding the Call to Be a Light in the Darkness (A Igreja na Babilônia: Atendendo ao Chamado para Ser uma Luz nas Trevas).

10 coisas que a igreja local pode fazer por um missionário

1. Oração (É a coisa mais importante);
2. Sustento financeiro (É uma das mais necessárias. Sua igreja local talvez não possa contribuir com valores altos, mas R$ 100,00 mensal para um missionário pode ser muita coisa);
3. Encorajamento (Todo missionário ama ser encorajado e desafiado, uma palavra de encorajamento pode mudar nossa semana);
4. Manter uma comunicação semanal aberta entre os membros da igreja local e os missionários (envio de cartas ou e-mails);
5. Enviar seus membros de tempo em tempo para auxílio na missão. (Profissionais ou não, todos podem cooperar de alguma forma no campo missionário);
6. Enviar materiais didáticos para adultos e crianças (Missionários sempre precisam de materiais e geralmente eles não conseguem comprar onde estão);
7. Plano de saúde ou seguro viagem para família (é importante também, principalmente para aqueles que estão em lugares inóspitos)
8. Pastoreio (mesmo à distância é importante essa aproximação e socorro);
9. Verificar se o mesmo tem transporte para suas ações e viagens. (Ás vezes o missionário deixa de alcançar muitas pessoas porque falta um carro, moto ou barco. Uma campanha missionária na igreja, consegue levantar o valor em um mês, sendo que o missionário gastaria em média o ano para fazer o mesmo).
10. Conceder períodos de descanso. (O missionário necessita de tempo de descanso, ele fica a disposição da comunidade onde trabalha em média 16 horas por dia e isso demanda muita disposição. Se puder tirar ele do campo nesse período, seria melhor ainda. Isso fará bem para saúde mental, para sua família, para gerar proximidade com a igreja local e para o mantimento da missão).

Texto original de Maycon Barroso, compartilhado por Eu oro pela África do Norte“.

Conheça o “Janeiro Branco” – uma campanha em favor da saúde mental e emocional

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Fonte: Janeiro Branco

    Estudos apresentados pela OMS (Organização Mundial de Saúde) e Ministério da Saúde indicam que o Brasil tem experimentado um crescimento vertiginoso das problemáticas relativas à Saúde Mental/Saúde Emocional dos indivíduos e de toda a sociedade.

        São altos os índices de violência (em domicílios, no trânsito ou em escolas), de criminalidade, de suicídios, de alcoolismo, de drogadição, de depressão, de ansiedade, de preconceitos e de outros sintomas relativos a estilos de vida adoecidos e que colocam em risco o equilíbrio mental, comportamental, espiritual e emocional dos indivíduos e das instituições sociais.

          Porém, de acordo com o psicólogo Leonardo Abrahão, idealizador da Campanha Janeiro Branco, apesar da evidente necessidade de se colocar o assunto em pauta, muito pouco ainda se discute a respeito.
“Através da Campanha Janeiro Branco, pretendemos difundir um conceito ampliado de Saúde Mental/Saúde Emocional, como um estado de equilíbrio sem o qual não é possível viver satisfatoriamente em sociedade. Escolhemos o mês de janeiro para a mobilização pelo fato de que, em termos culturais e simbólicos, no início do ano as pessoas estão predispostas a pensar sobre as suas vidas em diversos aspectos, e, a cor branca, pois, como em uma tela em branco, queremos incentivá-las a desenhar novas possibilidades em suas vidas”, pontua Abrahão.

          Segundo o idealizador da Campanha, que a cada dia ganha mais adeptos nas redes sociais, nas cidades brasileiras e até mesmo em outros países, viver em uma sociedade individualista, competitiva, hedonista, materialista e consumista torna a vida um permanente desafio. “Os conflitos, os desejos, as ilusões, as ambições, os sistemas culturais e as aparências incitam os indivíduos a uma permanente prontidão dos sentidos que podem terminar por levá-los à exaustão física, mental e emocional”, afirma Leonardo que também é escritor e palestrante.

          A crença de que a humanidade já acumulou conhecimentos suficientes para ajudar as pessoas a desenvolverem vidas mais saudáveis e de que todos – indivíduos e instituições sociais – são responsáveis pela promoção da Saúde Mental/Saúde Emocional nas relações humanas é o motivo do convite lançado à sociedade pela Campanha Janeiro Branco.

          “Convidamos todos os cidadãos e profissionais das diversas áreas do conhecimento humano a se questionarem: como posso usar o que sei a favor da Saúde Mental/Saúde Emocional dos indivíduos? Como podemos favorecer a qualidade de vida e o bem-estar das pessoas, bem como o equilíbrio emocional, o sentido existencial e a harmonia social em todos os tipos de relações interpessoais que ocorrem em nossas vidas?”, diz Abrahão.

Campanha ocorrerá em várias cidades do Brasil

         Em sua 6ª edição, a Campanha Janeiro Branco contou com a poderosa ajuda da Internet para ser conhecida e admirada em todo o Brasil. Sites voltados às temáticas da psicologia, instituições sociais e milhares de psicólogos e de psicólogas de todo o país estão aderindo à proposta e organizando ações virtuais e presenciais em suas cidades, como, por exemplo, compartilhamento de posts, palestras-relâmpago sobre Saúde Emocional em salas de espera de hospitais, em escolas, em espaços públicos e em empresas.

          Além de palestras-relâmpago, cidadãos e profissionais da Saúde estão organizando distribuição de fitas brancas em praças das cidades, tira-dúvidas virtuais sobre Saúde Mental e sobre a importância de uma cultura da Saúde Mental na humanidade, entrega de panfletos explicativos sobre Saúde Emocional em escolas, em empresas e a proposição de projetos de lei, aos vereadores e deputados brasileiros, para que cada município e estado declare o mês de Janeiro como o Mês Oficial do Janeiro Branco e da Conscientização sobre Saúde Mental nos calendários oficiais das prefeituras e das unidades da Federação.

Mais detalhes sobre a Campanha, sobre a sua programação e as suas novidades podem ser encontradas em:  janeirobranco.com.br, em facebook.com/campanhajaneirobranco e em @janeirobranco no Instagram.

Fonte e imagem: Janeiro Branco.

Quando um pastor comete um suicídio…

sem título-2Publicado originalmente no site da IPB, com autoria do Rev. Valdeci Santos

         Quando um pastor comete suicídio. . .
Mais um pastor cometeu suicídio! Frases e notícias como essa, a respeito de pastores que optaram pelo autoextermínio, têm veiculado com certa frequência na mídia social. Nos meses de novembro-dezembro de 2018 e janeiro de 2019, nada menos do que 6 casos foram divulgados, o que é um dado alarmante. Entre essas pessoas, estavam homens e mulheres, obreiros de diferentes denominações, com experiências ministeriais variadas e servindo em contextos sociais distintos. Todavia, o fator mais comum entre eles foi o fato de cada um deixar para trás familiares quebrantados, congregações e amigos confusos e inquietos quanto aos motivos que os levaram a tomar tão radical decisão.

          Verdadeiramente, suicídio é um assunto complexo. Ninguém deveria discuti-lo de maneira simplista, sob o risco de ser considerado tacanho ou reducionista. Quando se trata do suicídio de pastores e pregadores do evangelho, então, a questão se torna bem mais inquietante. Geralmente o que se espera é que esses santos saibam onde encontrar esperança em situações que favorecem o desespero. Ao menos esse foi o exemplo deixado pelo apóstolo Paulo quando relatou aos Coríntios: “não queremos, irmãos, que ignoreis a natureza da tribulação que nos sobreveio na Ásia, porquanto foi acima das nossas forças, a ponto de desesperarmos até da própria vida. Contudo, já em nós mesmos, tivemos a sentença de morte, para que não confiemos em nós, e sim no Deus que ressuscita os mortos” (2Co 1.8-9). Contudo, os últimos acontecimentos provam que nem sempre isso acontece. Alguns ministros do evangelho não conseguem suportar o fardo da existência colocam um fim na própria vida.

          Antes de qualquer comentário sobre o suicídio de pastores é necessário considerar quatro fatores básicos. Em primeiro lugar, o fato de que num mundo caído e quebrado como o que vivemos, sofrimento e dor, sejam eles físicos, psíquicos, emocionais ou espirituais, não poupam qualquer classe social, nem mesmo os ministros do evangelho. Logo, a fragilidade da cultura pastoral não deveria surpreender nem causar espanto desse nosso lado da eternidade. Em segundo lugar, suicídio é uma forma de morte que geralmente é prenunciada.[1] Nesse sentido, Kay Warren, esposa do pastor Rick Warren e mãe do jovem Mateus Warren, que em abril de 2013 tirou sua própria vida, lembra que os Centros de Prevenção à Vida continuamente informam que para cada suicídio consumado, são feitas, no mínimo, 25 tentativas.[2] Assim, o problema é que a cultura do descaso é um panorama fértil para essa calamidade e para combatê-la é importante ser sensível à dor do próximo, inclusive a dos pastores.

          Em terceiro lugar, mais agravante do que as pressões ou a depressão no ministério é a insegurança e o medo que o pastor normalmente tem de se expor, compartilhar sua dor e pedir ajuda. Muitos receiam se abrir e, em seguida, não serem compreendidos, mas julgados e condenados. Infelizmente, o resultado imediato dessa atitude tem sido o isolamento e o agravamento da aflição de alguns. É fato que os pastores necessitam aprender a expressar suas angústias e buscar ajuda para suas lutas pessoais. Em quarto lugar, deve-se ponderar que as divulgações de casos de suicídio na mídia social nem sempre trazem o resultado esperado de remediar esse fenômeno trágico. Em um artigo sobre esse assunto, os estudiosos David D. Luxton, Jennifer D. June e Jonathan M. Fairall, afirmam que há evidências crescentes de que a Internet e a mídia podem influenciar negativamente alguns comportamentos associados ao suicídio.[3] Isso deveria desencorajar qualquer banalização dos tristes eventos relacionados aos casos de pastores que optaram pelo autoextermínio. Além disso, as transmissões relâmpagos de notícias envolvendo o suicídio de pastores deveriam ser ponderadas, pois ao invés de alimentar temor, elas podem ser sugestivas para outros que flertam com essa possibilidade.

          Tendo considerado essas questões preliminares, ainda permanece a dificuldade sobre o que pensar, o que dizer e como agir propriamente quando um pastor comete suicídio. Quais fatores deveriam ser analisados diante de tão trágicos eventos? A resposta pode variar, mas há certamente alguns elementos a serem notados, conforme sugestão abaixo.

          A ação de Satanás deve ser ponderada. Não é mero jargão afirmar que Satanás está vivo e ativo no planeta terra. A Bíblia ensina claramente que o “adversário, o diabo, anda em derredor, como leão que ruge, buscando alguém para devorar” (1Pe 5.8). Além do mais, os líderes eclesiásticos parecem ser os principais alvos do inimigo, pois há um princípio bíblico de que se o pastor for ferido, as ovelhas ficarão confusas e dispersas (cf. Nm 27.17, 1Re 22.17, Ez 34.5, Zc 13.7). Dessa maneira, quem mais se beneficia com o desespero e o suicídio de um obreiro é o próprio Satanás. A confusão, o falatório e o enfraquecimento da fé de muitos, atitudes comuns nessas ocasiões, acabam prestando serviço aos intentos do inimigo.

          Todavia, saber que Satanás e o principado das trevas estão envolvidos nos casos de derrotas dos pregadores do evangelho não equivale a ser simplista e dizer que o diabo fez isso. Tal constatação implica em reconhecer a realidade da guerra espiritual, a ação destrutiva das trevas e até a falha de alguns cristãos em discernir e resistir aos ataques malignos. Ignorar a realidade da ação satânica nessas questões alimenta conclusões míopes e não corresponde ao ensino bíblico.

          A liderança da igreja deve rever a maneira como tem tratado seus pastores. Há líderes de igrejas locais (presbíteros, diáconos e outros obreiros) que tratam seus pastores de modo totalmente anticristão. Eles parecem compreender a proibição bíblica para não serem dominadores do rebanho (cf. 1Pe 5.1-4), mas não se importam em agirem como “patrões” e “mandantes” de seus pastores. Ao fazerem isso, menosprezam o princípio sagrado de tratar com dobrada honra os que se dedicam à pregação e ao ensino (cf. 1Tm 5.17). Por desprezarem o princípio bíblico, esses líderes acabam não se importando de maltratar os ministros de Deus. Eles também não entendem que Deus não abençoa uma igreja emcuja liderança despreza sua Palavra.

           Na verdade, alguns líderes agem como se tivessem recebido a missão divina de manter seus pastores humildes e, por isso, os tratam de maneira miserável! Esse tratamento pode envolver remunerações baixas, rígido policiamento e ofensas verbais, maltratos emocionais, descasos relacionais e desvalorização profissional. Para agravar a situação, a família do ministro também recebe os efeitos traumáticos desse tratamento. Por isso, diante de notícias de que pastores têm chegado ao fundo do poço do desespero a ponto de cometer suicídio, alguns líderes eclesiásticos deveriam rever seus conceitos e avaliar se não são cúmplices de algumas dessas mortes.

          Os pastores devem resistir à armadilha da vitimização. Diante das notícias trágicas envolvendo pastores e outros obreiros do evangelho, é tentador pensar que esses santos são apenas vítimas de injustiças e malvadezas. Vários têm usado os mesmos canais da mídia social que noticia os suicídios de pastores para protestar que os ministros do evangelho estão sendo esquecidos, execrados, vilipendiados e desprezados. Em nenhum momento deve-se duvidar que isso, de fato, ocorre em alguns arraiais evangélicos, mas não é correto justificar a opção pelo suicídio por causa dos maltratos recebidos. Diferente disso, o pastor que sofre deveria se lembrar que isso o identifica com Cristo, o Servo Sofredor, e com os santos apóstolos do passado (cf. Jo 15.20 e 1Co 4.9-13). Se qualquer crente, não apenas pastores, analisar sua sorte apenas horizontalmente, poderá sucumbir ao desespero proveniente do sofrimento experimentado.

          Infelizmente, a cultura pastoral não é formada apenas de pessoas maduras, equilibradas e totalmente devotas ao Senhor. A verdade é que existem muitos que se encontram no ministério, mas não possuem mais o zelo pastoral dentro de si nem a dedicação diária ao Senhor. Dessa maneira, a armadilha da vitimização não ajuda nesses momentos de confusão pelos últimos acontecimentos. Portanto, o melhor que o servo devoto pode fazer diante desse quatro completo, é buscar graça do misericordioso Senhor para viver sob o lema da oração do salmista que disse: “Não sejam envergonhados por minha causa os que esperam em ti, ó Senhor, Deus dos Exércitos; nem por minha causa sofram vexame os que te buscam, ó Deus de Israel” (Sl 69.9).

           A realidade do pecado não deve ser facilmente descartada. Temendo responder com insensibilidade ao suicídio de santos, nem sempre se considera a possibilidade de que o sofrimento, o desespero e a morte tenham raízes no pecado do suicida. Todavia, há alguns poucos casos, nos quais os pastores que cometeram suicídio, estavam comprometidos com algum procedimento pecaminoso e o medo ou a angústia de serem descobertos resultou em sua morte. O pecado pode se expressar na forma de um relacionamento indevido, um procedimento imoral e impuro, uma compulsividade desenfreada ou alguma outra maneira. Nesses casos, o suicídio pode ser uma proposta atrativa de fuga ou autoexpiação. Ou seja, por não suportar mais as consequências do pecado, o sofredor-pecador pode tentar colocar um ponto final em sua existência.

          É necessário esclarecer que nem todo caso de suicídio foi resultado do pecado do suicida. Como já foi afirmado aqui, suicídio é um caso extremamente complexo. Todavia, não se pode descartar a verdade de que algumas vezes, o pecado, sua culpa e vergonha, pode ser o fator dominante nesses casos. Talvez esse ponto fique mais claro se considerarmos que cinco das ocorrências de suicídio mais comuns na Bíblia, estão associadas ao procedimento pecaminoso do suicida: Abimeleque (Jz 9.35), Saul (1Sm 31.4), Aitofel (2Sm 17.23), Zimri (1Re 16.18) e Judas (Mt 27.5). Assim esse é um elemento que não pode ser prontamente descartado.

          Fatores psíquicos devem ser considerados. Por mais lamentável que seja, há pessoas no ministério pastoral em profunda necessidade de acompanhamento e tratamento psíquico. Nem todos tiveram a oportunidade de obter cuidados antes de chegar ao ministério e alguns sintomas não se mostraram tão evidentes até a pessoa envelhecer e/ou ser submetida às pressões ministeriais. Para piorar a situação, alguns medicamentos para tratar outros males físicos podem interferir na saúde mental de seus usuários. Assim, desequilíbrio emocional, enfermidades psíquicas e outros agentes que interferem no equilíbrio mental da pessoa também devem ser analisados nos casos envolvendo tentativas ou consumação do suicídio.

          Como é comum que muitas pessoas sejam ordenadas ao ministério pastoral sem a devida avaliação mental prévia, o fato de encontrar muitos enfermos entre os que pregam a cura não deveria ser uma surpresa. Nesses casos, a melhor maneira de cuidar de um irmão sofrendo por algum mal mental é afastá-lo do pastorado, encaminhá-lo para tratamento e expressar o zelo fraternal cuidando de seus familiares enquanto o obreiro recebe cuidado.

          Devido à intricada natureza do assunto, outros fatores certamente poderiam ser listados acima. Mas conforme foi estabelecido no início, os tópicos mencionados apenas cobrem a categoria básica daqueles que devem ser considerados quando um pastor comete suicídio.

          Finalmente, uma palavra pastoral aos colegas de ministério. A morte pelo suicídio nunca põe um ponto final ao sofrimento. Ela apenas transfere a dor insuportável de uma pessoa para sua família, seus amigos, e, nos casos dos pastores, para sua congregação. Além do mais, é necessário notar que quando os servos de Deus no passado experimentaram desespero, frustração e desgosto com a realidade, eles não tomaram sobre si o direito de acabar com a vida, mas oraram pedindo a Deus que a tirasse deles (cf. Nm 11.15, Ex 32.32, 1Re 19.4, Jó 6.8-9 e Jn 4.3). Somente o Autor da vida possui o direito de pôr um término no dom que ele concedeu. Além do mais, é necessário lembrar que há sempre graça e misericórdia para socorro aqueles que se chegam ao trono de Deus (cf. Hb 4.16). Assim, é necessário que, a despeito da mais terrível dor, aprendamos a buscar ajuda e expor nossa situação na busca de solução e auxílio. O suicídio não é a resposta!

Rev. Valdeci Santos

[1] RAMOS, Edith. Anatomia do suicídio. Arq. Brasileiro de Psicologia Aplicada 26: 2 (abril/junho 1974): p. 79-98.
[2] WARREN, Kay. Who pastors the pastor? Even ministers suffer from suicidal thoughts. The Washington Post, 17 de abril de 2017.
[3] LUXTON, David D.; JUNE, Jennifer D. e FAIRALL, Jonathan M. Social Media and Suicide: A Public Health Perspective. American Journal of Public Health (Maio de 2012). Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3477910/. Acesso em: 12 de novembro de 2017.

O profeta Jonas e a sombra da aboboreira

Por Odilar Júnior

downloadHá momentos na vida que aparecem várias propostas e ofertas tão tentadoras, tão deslumbrantes que as pessoas acabam sendo seduzidas e fazem de tudo tirar proveito. Isso gera nelas sentimentos ruins, ganância ou mesmo insatisfação. Por muitas vezes, acabam se descontrolando e por não medirem a consequência de seus atos, acabam insatisfeitas com o que veem. A exemplo de uma aboboreira, uma lição de Deus ao profeta (Jonas 4: 6-11), será constatado o quanto é fácil o homem se apegar ao que é passageiro, porém cômodo, e ainda desenvolver sentimentos egoístas.

O profeta Jonas foi enviado a Nínive (capital da Assíria, hoje Iraque) para pregar a mensagem de Deus àquela cidade (Jonas 1:1-2). Ele fugiu para a direção contrária, a Península Ibérica (1:3). No meio da tempestade, ele foi jogado ao mar pelos tripulantes do barco (1: 4-19) e engolido (1:17) e vomitado por um grande peixe (2:10). Não tendo sucesso na sua fuga, restou-lhe apenas uma alternativa: anunciar a mensagem que Deus havia lhe dado contra os ninivitas (3:2-3). Ele anunciou que em quarenta dias a cidade seria destruída (3: 4).

Ao pregar esta mensagem, o povo creu, se arrependeu e se todos humilharam com jejum. Tornou-se até mesmo um decreto do rei daquela cidade — que todos jejuassem (inclusive os animais domésticos), abandonassem suas maldades, seus maus caminhos para que alcançassem a graça e a misericórdia de Deus. E assim fizeram. Como resultado, alcançaram a misericórdia de Deus e não seriam mais destruídos (3: 5-10).

Não satisfeito com isto, Jonas se aborreceu, ficou com raiva. Ele desejava ver aquele povo sendo dizimado pela ira divina, pois eram famosos por serem sanguinários e cruéis, por torturarem, maltratarem e subjugarem as pessoas dos lugares em que conquistaram, fazendo-lhes escravos. Ele não se contentou com o que viu. Ao dormir, Deus fez com que nascesse uma aboboreira para fazer sombra ao profeta; porém, na noite seguinte, a planta morreu. Jonas se indignou de tal modo que desejou morrer. Para ele, seu infortúnio já tinha chegou a limite suportável.

Diante deste episódio, há lições a serem tiradas com a aboboreira:

1 — O apego à sombra da aboboreira:

É interessante notar que esta planta não é perene, quer dizer, dure muito tempo. Então por que Jonas se apegou a ela? Provavelmente, por ter lhe dado um conforto a protegê-lo do sol. Isso é apenas uma ideia. Através deste vegetal, Deus quis mostrar ao profeta como ele estava sendo egoísta. Deus o questionou, confrontou o seu apego por uma planta que tinha nascido do dia para a noite e porque Ele, o SENHOR, não poderia ter compaixão de uma cidade de cento e vinte mil habitantes. Trazendo para o cenário atual, muitos se apegam às suas aboboreiras e a fazem como sombra, como uma proteção; se apegam às suas riquezas e ao conforto que geram; como disse o salmista, “uns confiam em carros e cavalos” (Salmos 20: 7a). Isto os torna individualista, egocêntricos, vis, valorizando mais o “ter” que o “ser”, como fosse eterno e que poderiam salvá-los na hora da morte. As riquezas, bens materiais são necessárias para a nossa sobrevivência, para o nosso sustento, porém, elas só nos servem apenas nesta vida e elas devem ser usadas com sabedoria; porém, se não mais vivermos, não servirá para mais nada a nosso favor, pois não poderemos carregá-las conosco, ficarão para outras pessoas. Em Mateus 6: 19 diz que “não devemos ajuntar tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem e onde os ladrões arrombam e roubam”. A mulher de Ló perdeu a sua vida, por não conseguir se desprender do deixara para trás. Com sua cidade sendo destruída, a única maneira de salvar sua vida era fugir sem olhar para trás – ela se virou e foi transformada numa estátua de sal (Gênesis 19:26; Lucas 17:32-33).

2 – O perigo da sombra da aboboreira:

A sombra é causada pela ausência de luz e ela ofusca o que deveria ser visto. Quando o que é passageiro se torna uma prioridade maior que as coisas de Deus, ou seja, quando a sua visão de Deus é ofuscada pela sombra do brilho deste mundo, você está correndo um perigo muito grande. Jesus alertou: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque há de odiar um e amar o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom” (Mateus 6:24). “Mamom” é uma palavra aramaica que significa “riquezas” ou “fortuna”; por elas pessoas mentem, matam, fazem atrocidades que as impedem de servir ao SENHOR. Experimente um teste: olhar para dois lugares ao mesmo tempo, você consegue? Não. Seu cérebro simplesmente não consegue processar. Então, ou foquemos em Deus, priorizando-o e nos tesouros do céu ou na ansiedade e nos tesouros deste mundo, deixando o Senhor de lado. Aqueles que priorizam o seu tempo às coisas deste mundo, não havendo uma mudança de direção (ou um arrependimento genuíno), o fim não será nada agradável: virá a perdição e a ira da justiça divina. (Romanos 2:5-6).

3 – Saia da sombra da aboboreira!

O profeta Jonas se apegou à aboboreira por lhe dar conforto e proteção. Porém, ela morreu e ele quis morrer, por “quase desmaiar devido a calor do sol que queimava sua cabeça” (cap. 4: 8). Ou seja, ele entrou em desespero pois onde ele tinha se firmado simplesmente ruiu.

Como já foi dito, nós precisamos de comida, trabalho, uma certa comodidade, conforto, trabalho, roupas, dinheiro, diversão; No entanto, precisamos muito mais de Deus, pensar e ansiar a nossa salvação. As primeiras, fazem parte de nossa vida em sociedade, nossa sobrevivência. Morremos e nada mais faz sentido. Porém, as últimas são para tanto a nossa vida hoje, quanto para a eternidade. Deus pode prover tanto as primeiras quanto as últimas. De acordo com a Sua Palavra (João 11:25), quem crê em Jesus, ainda que morra, viverá. Se preocuparmos com nossa salvação, teremos vida eterna. Se não, não a teremos.

É importante frisar que este texto não incentiva a abandonar tudo e viver no meio de um deserto, uma ilha ou numa floresta e viver como um “hippie” ou como os povos silvícolas, como se fosse um pecado mortal possuir bens, não é isto. O texto apenas alerta o perigo do apego aos bens terrenos, ao amor por coisas, como se elas fizessem viver ou somente elas lhes satisfazem. Devemos ter a consciência de tudo isto deve ser adquirido e utilizado com sabedoria e sobriedade, tendo gratidão, pois o SENHOR quem o capacitou que isto fosse realizado ou conquistado, com saúde e forças para possuir o quem você tem. Todos dependem de Deus e nada é feito ou realizado sozinho, então não há motivo para este sentimento egoísta ou de posse.

Conclusão:

Para enxergar a Luz, primeiramente precisamos sair da sombra. Há uma realidade bem maior e infinitamente melhor do que este mundo pode oferecer. Busquemos a luz que brilha a salvação. Jesus disse: “Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça e todas as coisas vos serão acrescentadas” (Mateus 6:33). Se nossa mente e coração estiverem presas a esta terra, estaremos em trevas, pois não teremos acesso à luz. Porém, se nossas mente e coração focarem em algo bem maior, além, nos tesouros do céu, a luz resplandecerá eternamente, brilhando cada dia mais, porque onde estiver o nosso tesouro, aí estará o nosso coração (cf. Mateus 6: 21).

Saiamos da sombra da aboboreira, onde a luz é ofuscada e troquemos pela sombra do Onipotente, um lugar feito para o nosso descanso! (Salmo 91: 1).

Lâmpada incandescente – #Repost

“Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte” (Mateus 5:14)

Por Odilar Júnior

Qual a função da lâmpada? Iluminar um ambiente escuro. O modelo incandescente foi o primeiro dispositivo criado para gerar luz utilizando a energia elétrica e assim, substituir as velas e lamparinas. Mas, devido a sua estrutura e o material que ela compõe, apenas 5% da energia consumida é convertida em luz, os 95% restantes se transforma em calor, ou seja, a maior parte da energia consumida é desperdiçada, por não cumprir a sua função principal de maneira satisfatória.

Por mais que ainda não sejamos perfeitos e ainda sermos falhos e pecadores, uma parte do cristianismo atual tem se comportado como a lâmpada incandescente. O mundo se encontra em trevas e cada dia pior e nós portamos uma mensagem de esperança, que pode sinalizar com uma luz em meio a este caos. Porém, muito de nós, prefere gastar energia e tempo com aquilo que não edifica.

Cristo nos chamou das trevas para sua maravilhosa luz (1 Pedro 2:9) e nos transportou para o Seu Reino (Colossenses 1:12-14). Ainda disse que somos a luz do mundo (Mateus 5:14) e que a nossa luz “resplandeça diante dos homens, para que vejam as nossas obras e glorifiquem a Deus, o Pai” (Mateus 5: 16). Fomos chamados para refletir a Sua glória e viver o Seu Reino aqui na terra com palavras e ações, até o dia de Sua vinda. Fomos chamados para promover a proclamação da mensagem do Evangelho para que todos conheçam a Jesus Cristo e experimentem ter um real encontro com Ele para que haja uma real transformação em suas vidas. No entanto, muitos gastam sua energia em promover algo que não edifica, em assuntos periféricos que não levam a lugar algum. O ruim disso é que pode gerar um mau testemunho, causando um desserviço para o Reino e fomentar ódio, contendas e aversão a tudo que é relacionado ao Cristianismo e seus princípios, manchando até mesmo aqueles que têm um compromisso sério com a missão. São como uma fruta podre que contaminam todo o cesto.

Precisamos entender que não podemos dar motivos para que a Palavra de Deus seja negligenciada aos que não conhecem e sim sermos “irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo, retendo a palavra da vida”(Filipenses 2:15-16 a). Que vivamos não como as pessoas deste mundo, mas deixemos que Deus nos transforme por meio de uma completa mudança de mente. Assim conheceremos a vontade de Deus, isto é, aquilo que é bom, perfeito e agradável a Ele (cf. Romanos 12:2).

Então, antes de tudo, busque a Palavra de Deus e medite nela. Não fique apenas na mensagem ouvida, procure confrontá-la com a Palavra. Só assim, você poderá ter uma posição seja diante de uma situação, escândalo, mensagem ou notícia que vier. O mundo está cheio de disseminadores de ódio a pessoas que não pertencem ao seu grupo ou às suas ideias, pessoas que usam o Evangelho para se autopromover, se enriquecerem por meio da fé ingênua das pessoas, por meio de objetos; ou utilizam textos isolados para justificar suas loucuras e ações indiscriminadamente. Hoje, vemos idolatria a cantores e líderes gospel, quando a glória é somente a Deus (Isaías 42:8; Romanos 11:36), pessoas que se acham os novos profetas deste tempo, com novas revelações, como se o que foi revelado na Bíblia não fosse o suficiente. Fujam disto e recorram a Palavra de Deus (2 Timóteo 3:16-17). “Que suas conversas sejam agradáveis e de bom gosto e que vocês saibam também como responder a cada pessoa” (Colossenses 4:6 – NTLH).

Não seja como a lâmpada incandescente, que consome muita energia, gera pouca luz e produz muito calor. Não se empenhe demais em questões que não levam a lugar nenhum e foquem e se dediquem no essencial: Cristo, Seu Reino e a mensagem Real.

Para que não tenham o mesmo destino da lâmpada incandescente, que já caiu em desuso no Brasil e seu uso foi proibido em toda a Europa:

“Produzam frutos dignos de arrependimento. Toda árvore boa produz bons frutos e toda árvore má, produz maus frutos. Portanto, pelos frutos os conhecereis. E também agora está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo.” (Mateus 3:8,10; 7: 17,20)

Sigam a Jesus e busquem fortalecer a sua comunhão com Ele, através da oração e do estudo da Bíblia:

“Eu sou a videira e vocês são os ramos. Quem está unido comigo e eu com ele, esse dá muito fruto porque sem mim vocês não podem fazer nada. Quem não ficar unido comigo será jogado fora e secará; será como ramos secos que são juntados e jogados no fogo, onde serão queimados” (João 15:5,6 – NTLH).

A lâmpada só consegue cumprir sua função (iluminar) quando está em contato com a corrente elétrica. Sem isto, ela é inútil. Logo, estejam ligados a Cristo e Ele fortalecerá vocês com Seu poder, para brilharem neste mundo para a glória de Deus.

Notas:

Além do que os olhos podem ver. #Repost

“Antes eu te conhecia só por ouvir falar, mas agora meus olhos te veem” (Jó 42:5 – NTLH)

Por Odilar Júnior

Eliseu e os carros de fogoA situação do Brasil não está fácil. Em 2016, vimos uma crise político-econômica e suas desastrosas consequências: encolhimento da economia, fechamento de empresas, desemprego, etc. Há muitos motivos que causam temor e se perguntar como viveremos de agora em diante.
E assim, também ouvimos muito, que é preciso confiar em Deus, que Ele está no controle. “Mas como Ele está no controle, se o mundo está praticamente desabando sobre nossas cabeças? Que tipo de controle é este?” – poderiam pensar. Quem pensa assim, lhe falta uma visão apropriada; só enxerga apenas o (s) problema (s). Precisam enxergar além do que seus olhos podem ver. Não compreendem que tudo isto não passa de “ação e reação”.
Por mais que o mundo esteja um caos, Deus continua no controle sim. O ciclo natural continua vigente, mesmo havendo desastres naturais. A vida continua, em meio às doenças, guerras, fome e tudo mais. O universo ainda obedece às leis físicas estabelecidas desde o início. Ainda que por um lado, haja uma disfunção, o todo permanece.
Quando você passa a adotar uma cosmovisão (visão que se tem do mundo) mais clara e correta, sua compreensão se eleva e passa a enxergar melhor, que há um Deus nos céus que rege todo o universo com a sua Palavra e que não será um simples problema humano que abalará seu poder e seu governo. Assim, você passa a entender o que o Jó quis dizer no capítulo 42: 5 (o texto básico citado anteriormente).
Em 2 Reis 6:15-17 conta a história de uma situação crítica e a reação diferente em duas pessoas (Geazi e Eliseu), como suas visões são diferentes uma da outra.
“O servo do homem de Deus levantou-se bem cedo pela manhã e, quando saía, viu que uma tropa com cavalos e carros de guerra havia cercado a cidade.
Então ele exclamou: “Ah, meu senhor! O que faremos? ”
O profeta respondeu: “Não tenha medo. Aqueles que estão conosco são mais numerosos do que eles”.
E Eliseu orou: “Senhor, abre os olhos dele para que veja”.
Então o Senhor abriu os olhos do rapaz, que olhou e viu as colinas cheias de cavalos e carros de fogo ao redor de Eliseu.”
Israel e Síria estavam em guerra. O rei da Síria mandou seu exército capturar o profeta Eliseu, por ter adivinhado seus conselhos e contar ao rei de Israel. Sua vida corria perigo. Ciente disto, Geazi se desesperou. Eliseu não temeu, e ainda o acalmou pedindo ao SENHOR para que Ele mostrasse a real situação: apesar de tudo, Deus estava no controle e protegendo-os. Por fim, a situação foi resolvida de uma forma inusitada e a guerra cessou. (2 Reis 6:18-23). Eliseu confiou em Deus e no seu poder para resolver problemas.
Hoje em dia não é diferente. Não chega a ter um exército sírio querendo a nossa cabeça, mas são aquelas situações do cotidiano que tiram nossa paz. Qual deve ser a nossa postura? A de Geazi – enxergar apenas o problema, se desesperar e entrar em pânico ou a de Eliseu – encarar o problema confiando em Deus e na sua provisão, mesmo que pareça não haver solução?
Que possamos não apenas enxergar o que é aparente, tangível e muitas vezes ilusório e falso, e sim, além disso – o que é real e verdadeiro, porém invisível – o que apenas pode ser visto com os “olhos da fé”. Que possamos encontrar a paz de espírito e enxergar a bonança em meio às violentas ondas nas tempestades de vida, confiando no poder transformador de Jesus Cristo.