Os Cristãos e o filme Noé

 

Noé

Por Thiago Schadeck

 

Nos últimos dias os cristãos tem invadido as salas de cinema para assistir o badalado e comentado filme “Noé”. Como os produtores previam, o filme fez muito sucesso e está em destaque absoluto nas redes sociais. Isso se deve ao fato de muitos crentes terem ido ao cinema esperando uma ilustração fiel do que a Bíblia descreve como o fim do mundo, mas ao assistir o filme perceberam que os autores não tiveram qualquer fidelidade às Escrituras e pior, chegaram a beirar a blasfêmia.
Concordo que os cristãos que se sentiram lesados com a história cinematográfica devem, sim, emitir suas opiniões e reclamar, afinal ir ao cinema está muito caro hoje em dia.

O problema começa quando exigimos uma fidelidade bíblica e coerência teológica inconcebível para Hollywood e não temos a mesma atitude com as pregações que assistimos e músicas que ouvimos. Quantas vezes assistimos a uma pregação de uma hora e sequer abrimos a Bíblia, seja por preguiça ou porque o pregador decidiu não utilizá-la?

Abaixo, vou listar algumas frases, que dão título à pregações e em seguida “louvores” que cantamos pensando que estamos agradando a Deus:

“Quem tem promessa de Deus não morre”
Sinceramente, eu gostaria muito de saber quem inventou essa bobagem. Com certeza quem começou com isso nunca leu a Bíblia toda e em especial o capítulo 11 de Hebreus, conhecido como “a galeria dos heróis da fé”. Acho muito difícil que algum cristão nunca tenha lido esse capítulo, pois é um dos mais conhecidos da Bíblia. De qualquer forma, vamos à refutação:

Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra. (Hebreus 11:13)

Claro que vai surgir a pergunta: Mas Hebreus 11 fala de pessoas que alcançaram as promessas! Sim, muitos alcançaram o que lhes havia sido prometido, mas isso não significa que todos os que receberam qualquer promessa ficaram vivos para recebê-las.

“Os sonhos de Deus… ”
Essa frase pode se enquadrar tanto em pregações como em músicas. Não sei quem começou com isso, mas uma coisa é fato, essa frase fere um dos maiores atributos de Deus, a sua Soberania! Deus não fica sonhando e torcendo pra que tudo dê certo no final, pois ele sonhou mas não tem qualquer poder para realizá-los.
Isso é um dos pontos do Teismo Aberto ou Teologia Liberal, que defende que Deus não conhece o futuro, que não pode fazer qualquer intervenção, porque criou a terra e o ser humano e os deixou abandonados à sua própria sorte para, quem sabe, se encontrar com ele no final de tudo.

Se lermos o livro de Jó, completo e não apenas os quatro primeiros e o último capítulos, veremos que nas coisas boas e ruins Deus estava no controle e ajudando Jó a perseverar, ele não estava alheio ao sofrimento do seu servo. Vamos ver o que o próprio Jó fala acerca da soberania de Deus:

Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido (Jó 42:2)
 

“O melhor de Deus ainda está por vir”
Essa frase tão dita como motivação quando as pessoas estão passando por alguma dificuldade, afronta brutalmente nosso Senhor Jesus. O melhor de Deus já veio e atende pelo nome de Jesus, o Cristo! Enquanto ficamos esperando o “melhor” de Deus, esquecemos de tudo o que Ele já fez por nós e pela salvação através da graça trazido por Cristo.
Além do desprezo ainda há um outro problema nessa frase, ela pode causar um descontentamento eterno, porque sempre ficamos esperando o melhor de Deus e nunca nos conformamos com o que já recebemos, tendo em vista que sempre há algo melhor da parte de Deus para nós!
Essa frase ficaria mais biblicamente correta se fosse: O melhor de Deus já está pra voltar!

Partindo para o lado musical, teremos de resumir, pois é um campo vasto de bobagens e heresias:

“A minha vitória hoje tem sabor de mel”
A vitória do cristão foi conquistada na Cruz do Calvário, quando Cristo derrotou Satanás e nos comprou com seu sangue, trazendo assim a esperança da salvação aos homens. Tenho certeza que para Cristo a Cruz e a vitória dele não tinham sabor de mel. Em seus últimos dias de vida, Jesus foi traído por um de seus discípulos, outros dez o abandonaram quando ele foi crucificado e antes de morrer, o Pai o abandona para morrer sozinho e pagar pelos pecados da humanidade. Acredito que Cristo não sentiu sabor de mel em sua vitória.

Vejamos as palavras do próprio Jesus acerca dos acontecimentos que teria de passar:

E disse-lhes: A minha alma está profundamente triste até a morte; ficai aqui, e vigiai. (Marcos 14:34)
 

“Restitui, quero de volta o que é meu…”
Essa música fez muito sucesso no início dos anos 2000 e até hoje é uma das mais tocadas nas igrejas evangélicas. Eu mesmo comprei o CD e cantei muito, porém se prestarmos atenção na letra veremos que é uma música totalmente egocêntrica e anti-bíblica! Vejamos alguns motivos:

– Nenhum ser humano pode exigir qualquer coisa de Deus. Nós somos os servos e Ele o Senhor. Ele faz o que quer, quando quer e como quer, sem obrigação nenhuma de atender nossas vontades egoístas.

– O que é nosso? Tudo o que temos vem do Senhor. Dele é a terra e a sua plenitude (Salmos 24:1) e porque dele, por Ele e para Ele são todas as coisas (Romanos 11:36). O Senhor, nosso Deus é soberano!

Concluindo, se você exige fidelidade bíblica do filme de Hollywood e gosta desse tipo de pregação ou música, é hora de rever seus conceitos e começar a exigir a mesma fidelidade de si mesmo, buscando conhecer mais o Deus das Escrituras e não o pregado nas igrejas de autoajuda, depois exigir que na sua igreja a Palavra seja pregada em verdade, se baseando somente nas sagradas escrituras e que os louvores exaltem e adorem unicamente a Cristo. Se todos os inconformados com o filme fizerem um pouquinho e mostrar que quer se alimentar de uma palavra pura, sem adicionar modismos ou frases de efeito com certeza teremos uma nova reforma protestante e voltaremos ao Evangelho Puro e Simples de Cristo.

Que Deus te abençoe e que esse texto te faça refletir na sua vida como cristão se tem se apegado a verdade ou ao que te agrada!

 

 

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Os desafios do líder

lider

Por Thiago Schadeck

A paz do Senhor!

Hoje quero compartilhar coisas que vivi ou ouvi de pessoas que aceitaram o chamado de Cristo e se empenharam no ministério que Ele entregou a cada um.
Apesar de jovem (27 anos), posso dizer que tenho uma boa experiência em trabalho na igreja, ou relacionado a igreja. Com isso passei por algumas situações direta ou indiretamente, que me trouxeram aprendizado. Tenho contato com diáconos  presbíteros e pastores sérios, que contribuíram muito com o meu crescimento e sei que esse post pode ajudar quem está passando por situações semelhantes.

Vou listar abaixo alguns dos motivos que me vierem à mente, mas se faltar algum, por favor deixe nos comentários, para virar uma segunda ou até terceira parte desse post.

Orgulho

Como seres humanos, todos temos o nosso eu, o velho homem, que tenta falar mais alto. O orgulho faz parte da natureza humana, desde a queda no Éden, temos o desejo de sermos a estrela e aparecer mais que todos. Este é um dos principais motivos da queda de muitos homens de Deus. Quando achamos que o que fazemos de bom para Deus vem de nós e não dEle, damos o primeiro passo em direção ao abismo. A auto-suficiência é um pecado grave, pois coloca Deus em segundo plano e nosso próprio eu como o centro de nossas vidas.
Todos os dias devemos lembrar que o chamado e a obra é do Senhor e não nossa. Por isso, não temos direito de fazermos, de forma nenhuma, acreditar que somos melhores que alguém, apenas porque temos um cargo de liderança.

Dinheiro

Em todas as igrejas, por menor que seja, tem um volume de dinheiro por conta dos dízimos e das ofertas, porém o pastor e toda a administração da igreja deve ter em mente que aquele dinheiro não os pertence. O dinheiro que entra deve ser usado para a glória de Deus. A igreja não pode ter qualquer tipo de pendencia financeira. Se alguém exercer  em tempo integral, deve sim, receber um salário, pois estão dedicando seu tempo e talentos na obra do Senhor, mas isso não pode ser um peso pra igreja. Se a igreja não tem condições de sustentar um pastor em tempo integral, ele deve ter um trabalho secular. O dinheiro ofertado na igreja deve ser usado para cobrir todos os gastos com o templo (claro que sem exageros e extravagancias) ,ajudar aos necessitados da comunidade de fé, prestando auxilio a necessitados da comunidade em que se encontra. O dinheiro da igreja deve ser usado para promover o Reino de Deus em todas as esferas.

Poder

Quem exerce qualquer forma de liderança, recebe poder e influência como consequência, e deve usar isso para a expansão do Reino. O   problema é que muitos usam isso para o erro, a auto promoção, para manipular as pessoas a seguirem a si e não a Cristo.
O desafio do líder é utilizar a confiança que as pessoas depositam nele como combustível do crescimento das pessoas. O bom líder gera autonomia nessas pessoas e faz com que elas saibam caminhar sozinhas, sem perder a comunhão com os irmãos. O líder deve ensinar aos liderados como ser independente sem deixar de ser interdependente.
Um dos principais indícios de que esse poder está sendo mau usado é quando as pessoas o vêem como o representante e elo de ligação com Deus e passam a acreditar que sua oração é mais poderosa, que você tem a resposta para todos os problemas.
Se você se pegou nessa situação, ainda há tempo de mudar! Concerte-se com Deus e passe a agir de forma diferente.

Desgaste e stress

Desgaste e stress são duas palavras que estão intimamente ligadas. O desgaste é parte da liderança, pois na visão dos liderados o líder não tem o direito de desligar o celular, não pode tirar uma folga ou querer curtir um dia com a família, pois eles tem problemas urgentes e ainda sem solução. Quem mais poderá ajudá-los senão o líder escolhido pelo Senhor?
É extremamente necessário que o líder tenha ao menos um dia de folga na semana para descansar e cuidar de sua família. De que adianta cuidar de uma igreja lotada e perder seus filhos? Infelizmente, a quantidade de filhos de pastores envolvidos com crimes e drogas é enorme e isso porque esses líderes não deram a devida atenção a família.

Cônjuge

Muitas vezes ministérios são enterrados pelo cônjuge, que não aceita o chamado de Deus para a vida do seu esposo/esposa. O ministério de uma pessoa tem grande influência e participação do cônjuge. Acredito que após o casamento, não somos mais dois e sim um só, como a Bíblia diz, e sendo assim o casal deve estar unido em tudo e um apoiando o outro em seu ministério. Quem não tem apoio do cônjuge, com certeza terá uma liderança conturbada e isso lhe trará prejuízos em seu chamado.
Não apoio o divórcio, por isso, após o casamento devemos ter a nossa família acima de nossa liderança ou ministério. Se isso atrapalhar a comunhão com nossa família, devemos nos afastar de nossos trabalhos até que haja harmonia no lar para podermos exercer nossas funções ministeriais eclesiásticas.

Na Bíblia temos diversos exemplos de líderes que souberam administrar com excelência o que Deus lhe entregou, que podemos destacar: Jesus e Paulo. Eles são exemplos para quem quer cumprir o chamado de Deus!